História da Igreja – Parte 1- Documentos históricos


Parte 1 – Jesus à queda de Roma ( 0 a 476) – Continuação

 

Documentos Judaicos:

1. O Talmud (Coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos judeus posteriores a Jesus) apresentam passagens referentes a Jesus. Judeus combatiam a crença em Jesus, daí as palavras adversas a Cristo.

Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia:
“Na véspera da Páscoa suspenderam  a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: “Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo!” Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa.”

2. Flávio Josefo,  historiador judeu (37-100), fariseu, escreveu palavras impressionantes sobre Jesus:

“Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia  ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o
nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas,  XVIII, 63a).

Documentos Cristãos:

Os Evangelhos:  narram com riqueza de detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a  terra da Palestina no tempo de Jesus. Os evangelistas não poderiam ter inventado tudo isto com tanta precisão.

São Lucas, que não era apóstolo e nem judeu, fala dos imperadores Cesar Augusto, Tibério; cita os governadores da Palestina: Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, e outros personagens como Anás e Caifás (Lc 2,1;3,1s). Todos são muito bem conhecidos da História Universal.

São Mateus e São Marcos falam dos partidos políticos dos fariseus, herodianos, saduceus (Mt 22,23; Mc 3,6).

São João cita detalhes do Templo: a piscina de Betesda (Jo 5,2), o Lithóstrotos ou Gábala (Jo 19, 13), e muitas outras coisas reais. Nada foi inventado, tudo foi comprovado pela História.

 

Onde estão os originais dos Evangelhos?

Conhecem-se cerca de 5236 manuscritos (cópias) do texto original grego do Novo Testamento, comprovados como autênticos pelos especialistas. Estão assim distribuídos: 81 papiros; 266 códices maiúsculos; 2754 códices minúsculos e 2135 lecionários.

a) Os papiros são os mais antigos testemunhos:

Número Conteúdo Local Data (Século)
       
P1 Evangelhos Filadélfia (USA) III
P2 Evangelhos Florença (Itália) IV
P3 Evangelhos Viena (Áustria)  VI/VII
P4 Evangelhos Paris III
P5 Evangelhos Londres III
P6 Evangelhos Estrasburgo IV
P7 Atos Berlim IV
       

Em resumo, existem 76 papiros do texto original do Novo Testamento.
Acham-se ainda em Leningrado (p11, p68), no Cairo (p15, p16), em Oxford (p19), em Cambridge (p27), em Heidelberg (p40), em Nova York (p59, p60, p61), em Gênova (p72, p74, p75),…

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História da Igreja


Parte 1 – Jesus à queda de Roma ( 0 a 476)

“Na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho ao mundo nascido de uma mulher…” (Gl 4,4)

 

– Ano Zero – O Imperador Otávio Augusto (30 a.C. – 14 d.C.)

Roma viveu a paz (Pax Romana)
100.000 km de estradas.  Fala-se o grego.

– Orígenes de Alexandria (184-254):
"Deus preparou os povos e fez que o Império Romano dominasse o mundo inteiro… porque a existência de muitos reinos teria sido um obstáculo à
propagação da doutrina de Deus sobre a terra" (Contra Celso II 30).

– Decadência moral e filosófica.
O pensamento grego chegou ao seu auge com Platão (428-348 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.), depois decaiu.

– Época das Religiões de mistérios
– Misticismo no lugar da razão. Preparou o Cristianismo.

– S. Clemente de Alexandria († 214)
A filosofia é "um dom que Deus concedeu aos gregos" (Stromata I 2,20).
"A filosofia educou o mundo grego como a Lei de Moisés educou os hebreus (Gl 3,24), orientando-os para Cristo" (Stromata I 5,28).

– Jesus Cristo:
Herodes o Grande (37- 4a.C.), estrangeiro idumeu, rei vassalo de Roma.

– No ano 6 d.C. a Judéia foi incorporada à província romana da Síria, cuja administração competia a um Procurador que residia em Cesaréia (Palestina).

A data do Natal de Cristo – monge Dionísio o Pequeno († 556), que se enganou fixando-a no ano 753 (25 de dezembro) da fundação de Roma.
Cristo nasceu 6 a 7 anos antes do ano zero.

 

Jesus Cristo existiu? Documentos comprovam a existência de Cristo.

Documentos de escritores romanos (110-120):

1.  Tácito (Publius Cornelius Tacitus, 55-120), historiador romano, escritor, orador, cônsul romano (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio de Roma que aconteceu no ano 64, apresenta uma notícia exata sobre Jesus, embora curta:

“Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então, para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas mais horríveis esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha a sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44).

2.  Plínio o Jovem (Caius Plinius Cecilius Secundus, 61-114), sobrinho de Plínio, o Velho, foi governador romano da Bitínia (Asia Menor), escreveu ao imperador romano Trajano, em 112:

“…os cristãos estavam habituados a  se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus”. (Epístolas, I.X 96)

3. Suetônio (Caius Suetonius Tranquillus, 69-126), historiador romano,  no ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (41-54), afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestós (= Christós, Cristo), se haviam tornado causa frequente de tumultos” (Vita Claudii, XXV).

Atos 18,2 confirma. Suetônio, mal informado, julgava que Cristo estivesse em Roma, provocando as desordens.

Formação: Intercedendo pelo Ministério de Música


intercessao_musica

 

Nos grupos de oração e nos eventos da RCC, todos os ministérios/equipes são importantes e devem funcionar organicamente como um corpo (cf. 1 Cor 12,12ss) para que o Pentecostes aconteça, gerando curas, libertações e conversões. Contudo um dos ministérios aos quais encontramos mais batalhas espirituais é o de música. Talvez por fazer parte do pelotão de frente e, portanto, estar mais vulnerável aos ataques.

Uma música ministrada na unção e no poder do Espírito Santo cria o ambiente e principalmente abre os corações para o louvor, a petição, a súplica, a adoração, a escuta, a contemplação, a ação de graças, ou seja, para tudo o que o Senhor estiver querendo realizar no momento da reunião de oração e/ou nos eventos.

Verificamos na História da Salvação, grandes batalhas e feitos que tiveram à sua frente os músicos: Na conquista da cidade de Jericó o Senhor diz a Josué para colocar os sacerdotes à frente tocando as trombetas adiante da arca da aliança (cf. Jos 6, 1ss) na sétima volta ao som do clamor dos músicos sacerdotes, as muralhas não resistiram ao poder de Deus. O louvor deve ser o hino de vitória que brote da boca dos músicos carismáticos!

Na batalha contra os amonitas e os moabitas, Josafá designa os cantores que revestidos de ornamentos sagrados, haveriam de marchar à frente do exército entoando um cântico de louvor (cf. II Cron 20, 5ss). Os ornamentos sagrados, ou seja, o revestimento dos músicos, deve ser a santidade, buscando viver o que se ora na armadura do cristão (cf. Ef 6,10ss). A tática de Deus era colocar músicos à frente ministrando e assim as vitórias iam acontecendo.

Nos ensina o Catecismo (391): “Por trás da desobediência de nossos primeiros pais há uma voz sedutora, que se opõe a Deus, e que, por inveja, os faz cair na morte. A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo destronado, chamado Satanás ou Diabo. A Igreja ensina que ele tinha sido anteriormente um anjo bom, criado por Deus”. A primeira e principal área que devemos interceder com relação a todo o servo, é a obediência, a exemplo de Jesus Cristo o servo sofredor e obediente (cf. Is 53, 1-12; Fl 2,5-11). O demônio irá atacar muito o ministério de música nesta área, os intercessores e o ministério de música devem pedir para produzir o fruto do Espírito Santo da humildade genuína.

O Demônio era um querubim protetor, criado por Deus para servir no coro angélico. A palavra de Deus diz que “tamborins e flautas estavam a seu serviço desde o dia em que foram criados” (leia atentamente Ez 28,11b-19). Isaías descreve que com a expulsão de Lúcifer dos céus, ele levou consigo junto com uma legião de anjos, suas harpas e tamborins (leia também Is 14, 11-12). Assim, ele irá atacar nas brechas que os ministros de música deixarem em sua vida pessoal, tais como: orgulho, vaidade, falta de compromisso, que irão interferir no ministério, quer seja na equipe do grupo de oração quer seja numa banda ou conjunto.

A intercessão que se faz com relação a este ministério deve buscar fechar essas brechas, mediante a oração de concórdia e de combate para que o Espírito Santo dê aos músicos, uma verdadeira humildade, simplicidade, fidelidade e tudo o que for inspirado pelo Espírito quando se estiver orando especificamente por eles. Devemos deixar claro que o inimigo já está vencido pela Cruz de Jesus Cristo (cf. Rom 8,31) e que pouco tempo lhe resta, por isso ele tenta os que servem a Deus e que buscam levar mais pessoas a se encontrar com Jesus Senhor.

Devemos pedir também o dom do discernimento de música, para que ela seja ministrada na moção que a oração estiver sendo conduzida e também pela unidade de pensamento entre quem está conduzindo a reunião de oração e a música. Deve-se pedir que os músicos exerçam um ministério profético, com palavras de sabedoria, ciência e palavras proféticas, sempre em obediência à coordenação do grupo.

Aconselha-se às bandas que saem em missão que tenham uma equipe de intercessão, e mesmo que está não possa acompanhá-los na missão, essa equipe deve reunir-se para momentos de oração e adoração, de preferência juntos. Os músicos e seus intercessores devem vigiar e orar, procurando sempre confessar e jejuar para se revestir e estar protegido pela poderosa mão de Deus.

Formação: Intercessão os 7 passos


intercessao

 

1-      Humilhe-se (arrependa-se) na presença do Senhor

1 Pedro 5, 6-7  – Humilhai-vos…

Lucas 18, 9-14  – Parábola do fariseu e do publicano

2- Confesse seus pecados, pelo nome, sem generalizá-los:

Hebreus 5,1-4

O Espírito Santo nos convence do pecado, portanto, em nossa oração pessoal deixemos que Ele vá revelando e/ou recordando nossos pecados ainda não confessados. Se achar necessário escreva num papel. Não justifique nem jogue para os outros suas culpas e faltas.

O arrependimento é sinal que deve estamos de coração contrito diante do Senhor: Sl 50

3- Exponha ao sacerdote seus pecados

Jeremias 32,33-34

Pecado confessado é pecado perdoado! A confissão nos liberta de prisões interiores e situações que geram bloqueios espirituais, emocionais e até mesmo corporais.

4- Apresente-se Diante do Rei pelo Louvor e seja um Adorador

Louvamos o Senhor pelo que Ele É e faz, louvor é a chave que abre nosso coração para que a glória de Deus nele se manifeste; uma vez que somos Templos do Espírito Santo.

Se queremos mover e deixar o Espírito agir no sobrenatural, devemos louvar e bendizer o santo nome de Deus em todas as ocasiões. O louvor e adoração agem com mais rapidez nos momentos da oração quando estamos clamando!

Salmo 39,1-4

Salmo 99,4

Atos 16,22-26

1 Tess 5,16-20

Adoramos o Senhor pelo que Ele É, a adoração e a contemplação são as formas mais sublimes de intimidade com Deus.

Salmo 41,3

5- Cale-se para escutar o Senhor

Após os momentos de louvor, adoração e contemplação, devemos silenciar para escutar o Senhor.

1 Samuel 3,1-10

O Espírito Santo abre nosso nossos ouvidos, olhos, espirituais para nos dar direção, consolo, exortação, edificação, etc. O intercessor que não consegue fazer o exercício da escuta na oração pessoal não terá maturidade para vencer grandes batalhas e atuar numa oração comunitária com discernimento, humildade, equilíbrio, bom senso, etc…

Toda virtude antes foi disciplina e escuta!

Peça ao Senhor para que apure seu olhos e ouvidos espirituais e que te conceda sensibilidade espiritual para que ter discernimento de ouvir a voz de Deus e não ser confundido pelo humano ou pelo inimigo!

6- Assuma a postura de guerreiro e traga a presença do Senhor para os alvos da intercessão

Nesse momento podemos nos considerar preparados e capacitados pelo Espírito para a batalha da oração de intercessão.

O Espírito Santo irá trazer ao sua mente ou a equipe que estiver orando situações, pessoas, famílias, grupos, paróquias, comunidades, nações, etc. Que necessitam de oração.

Esse mesmo Espírito irá revelar como orar como convém, mediante o exercício dos carismas: oração em línguas, discernimento, palavra de sabedoria, palavra de ciência, profecia, visualizações.

Salmo 90,9-13

Quando esta oração de intercessão ocorrer em equipe, ela sempre deverá ser partilhada e discernida pelo mesmo! Equipe de intercessão é escuta, partilha e ação em unidade, com ordem e sem autoritarismo!

Autoridade Espiritual ≠ Autoritarismo

7- Encerre sua oração agradecendo como se já tivesse sido atendido nas petições

Agradeça a Deus e novamente, louve, adore e glorifique o santo nome do Senhor. A ação de graças é o reconhecimento que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus e que estão buscando seguí-lo fielmente!

Marcos 11,24

Formação: OS PAPAS – De S. Pedro a Bento XVI


1º.  – São Pedro Mártir -(Simão, filho de Jonas); Galiléia; 

  Eleito por Jesus na terceira década do calendário cristão,  permaneceu cerca de 37 anos no pontificado (o mais longo da história). Morreu no ano de 67.  Muitos historiadores firmam seu pontificado de 42 a 67, mas na realidade este período retrata apenas  o tempo em que permaneceu estabelecido em Roma. 

 

  2º.  São Lino – Mártir  – Itália; 67 – c.79.

  3º.  Santo Anacleto (São Cleto) Mártir  – Itália; c.79 – c.92. 

  4º.  São Clemente I Mártir  -(Clemente de Roma); c.92 – c.101.

  5º.  Santo Evaristo Mártir  – Grécia; c.101 – c.107. 

  6º.  Santo Alexandre Mártir  – Itália; c.107 – c.116

  7º.  São Xisto I – Provavelmente Mártir – Itália; c.116 – c.125. 

  8º.  São Telésforo Mártir  – Grécia; c.125 – c.138.

  9º.  Santo Higino Mártir  – Grécia; c.138 – c.142. 

10º.  São Pio I Mártir  – Itália;  142 – 155. 

11º.  Santo Aniceto – Considerado Mártir – Síria; 155 – 166.  

12º.  São Sotero Mártir  – Itália; c.166 – c.174.

13º.  Santo Eleutério Mártir  – Grécia; c.174 – c.189.  

14º.  São Vitor I Mártir  – África; c.189 – c.199.

15º.  São Zeferino Mártir  -Itália; c.199 – c.217.

16º.  São Calixto I Mártir  – Itália; c.217 – c.222. 

17º.  Santo Urbano I Mártir  – Itália; c.222 -c.230. 

18º.  São Ponciano  Mártir  – Itália; c.230 – c.235. 

19º.  Santo Antero  Mártir  – Grécia; c.235 – 236.

20º.  São Fabiano Mártir  – Itália; 236 – 250. 

21º.  São CornélioMártir  – Itália; 251 – 253.

22º.  São Lúcio Mártir  – Itália; 253 – 254. 

23º.  Santo Estevão Mártir  – Itália; 254 – 257. 

24º.  São Xisto II Mártir  – Grécia; 257 – 258. 

25º.  São Dionísio; 259 – 268. (26/12)

26º.  São Félix Mártir  – Itália; 269 – 274. (30/05) 

27º.  Santo Eutiquiano; Itália; 275 – 283.

28º.  São Caio; Iugoslávia; 283 – 296.

29º.  São Marcelino; Itália; 296 – 304 –  Ordenou São Silvestre, que viria a assumir o pontificado em 314.

30º.  São Marcelo; Itália; 308 – 309. – São Marcelo só foi eleito quatro anos após a morte de São Marcelino, devido às terríveis perseguições que os cristãos sofreram pelas mãos do imperador  Dioclesiano. Acabou sendo exilado pelo  imperador Maxêncio, e sofreu diversas humilhações e castigos. Morreu exilado, numa igreja que foi fechada e transformada num estábulo, onde trabalhava como escravo.

31º.  Santo Eusébio; Itália (de origem grega); (26/09) c.309 – c.310.

32º.  São Melquíades ou São Melcíades; África; 311 – 314.  –           <>Conversão do Imperador Constantino ao catolicismo. Tempos de paz para a Igreja pelo fim das perseguições aos cristãos.

33º.  São Silvestre; Itália; 314 – 335.

<> O imperador Constantino decreta o fim da crucificação, da perseguição aos cristãos e  pessoalmente, contribui para a construção de Igrejas.

<> O Papa manda erigir a imagem de Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, em gratidão à Maria Santíssima pelo fim da perseguição contra a Igreja.

<> Condenação das heresias donatista e ariana pelos concílios de Arles e Nicéia.

<> É construída a Basílica Vaticana sobre o túmulo de São Pedro, com auxílio do imperador Constantino. (Esta deu lugar a atual Basílica de São Pedro).

34º.  São Marcos; Itália; 336 (10 meses) – 07/10

35º.  São Julio; Itália; 337 – 352.

36º.  Libério; Itália; 352 – 366.

37º.  São Dâmaso I; Espanha; 366 – 384.  

<> Condenação das heresias de Macedônio e Apolináris pelo Concílio de Constantinopla

38º.  São Sirício; Itália; 384 – 399.

39º.  Santo Anastácio I; Itália; 399 – 401.

40º.  Santo Inocêncio I; Albânia; 401-417.

41º.  São Zózimo; Grécia; 417-418.

42º.  São Bonifácio I; Itália; 418 – 422

43º.  São Celestino I; Itália; 422 – 432 – <> Convocou o Concílio de Éfeso, que instituiu a segunda parte da Ave-Maria, ou seja “Santa Maria Mãe de Deus”.

44º.  São Xisto III; Itália; 432 – 440 – (28/03)

45º.  São Leão I (O Grande); Itália; 440 – 461

46º.  Santo Hilário; Itália; 461 – 468

47º.  São Simplício; Itália; 468 – 483.

48º.  São Félix II; Itália; 483 – 492.

49º.  São Gelásio I; África; 492 – 496.

50º.  – Anastácio II; Itália; 496 – 498.

51º.  São Símaco; Itália; 498 – 514.

52º.  São Hormisdas; Itália; 514 -523.

53º.  São João I  Mártir  – Itália; 523 – 526. 

54º.  São Félix III; Itália; 526 – 530.

55º.  Bonifácio II; Itália (de origem gótica); 530 – 532

56º.  João II; Itália; 533 – 535.

57º.  Santo Agapito ou Santo Agapeto; Itália; 535 – 536. 

58º.  São Silvério Mártir  – Itália; 536 – 537. 

59º.  Vigílio; Itália; 537 – 555.

60º.  Pelágio; Itália; 556 – 561.

61º.  João III; Itália; 561 – 574.

62º.  Bento I (ou Benedito I); Itália; 575 – 579.

63º.  Pelágio II; Itália; 579 – 590.

64º.  São Gregório I (O Grande); Itália; 590 – 604.

(contemporâneo de S. Agostinho – Apóstolo da Inglaterra) – L. P. 28/05

65º.  Sabiniano; Itália; 604 – 606.

66º.  Bonifácio III; Itália; 607 (9 meses)

67º.  São Bonifácio IV; Itália; 608 – 615.

68º.  São Deusdedit I ou Santo Adeodato I; Itália; 615 – 618.

69º.  Bonifácio V; Itália; 619 – c.625.

70º.  Honório I; Itália; 625 – 638.

71º.  Severino; Itália; 640 (4 meses).

72º.  João IV; Iugoslávia; 640 – 642.

73º.  Teodoro I (grego nascido em Jerusalém); 642 – 649.

74º.  São Martinho I; Itália; 649 – 655.

75º.  Santo Eugênio I; Itália; 654 – 657

(Substituiu o Papa São Martinho I, quando este estava no exílio, na Criméia).

76º.  São Vitaliano; Itália; 657 – 672.

77º.  Adeodato II ou Deusdedit II; Itália; 672 – 676.

78º.  Dono I; Itália; 676 – 678.

79º.  Santo Agato; Itália; 678 – 681.

80º.  São Leão II; Itália; 682 – 683.

81º.  São Bento II (ou São Benedito II); Itália; 684 – 685

82º.  João V; Síria; 685 – 686.

83º.  Cônon; provavelmente de origem italiana;  686 – 687

84º.  São Sérgio I; Síria; 687 – 701.

85º.  João VI; Grécia; 701 – 705.

86º.  João VII; Grécia; 705 – 707.

87º.  Sisínio; Síria; 708 (2 meses).

88º.  Constantino; Síria; 708 – 715

89º.  São Gregório II; Itália; 715 – 731.

90º.  São Gregório III; Síria; 731 – 741.

91º.  São Zacarias; Grécia; 741 – 752. (falecimento: março de 752)

92º.  Estevão; Itália; 752 (Não consagrado)

<> Foi eleito no mês de março de 752, mas veio a  falecer três dias depois.  Seu nome consta honorificamente na relação dos Papas.  Lembrando que no pontificado de 254 a 257 houve um Papa com o mesmo nome,   Estevão só não aparece como o Papa Estevão II  porque não houve tempo de ser oficialmente consagrado ao cargo pontifício.  Por isso, seu sucessor, também adotando o  nome,  figura como Estevão II, quando na realidade é ele o terceiro Papa com o nome de Estevão. 

93º.  Santo Estevão II; Itália; 752 – 757.

94º.  São Paulo I; Itália; 757 – 767.

95º.  Santo Estevão III; Itália; 768 – 772.

96º.  Adriano I; Itália; 772 – 795.

97º.  São Leão III; Itália; 795 – 817.

98º.  São Pascoal I; Itália; 817 – 824.

99º. Eugênio II, Itália; 824 – 827.

100º.Valêncio; Itália; 827 (2 meses).

101º.Gregório IV; Itália; 827 – 844.

102º.Sérgio II; Itália; 844 – 847.

103º.São Leão IV; Itália; 847 – 855.

104º.Bento III (ou Benedito III); Itália; 855 – 858.

105º.São Nicolau I (O Grande); Itália; 858 – 867.

106º.Adriano II; Itália; 867 – 872

107º.João VIII; Itália; 872 – 882.

108º.Marino I ou Martinho II; Itália; 882 – 884.

109º.Santo Adriano III; Itália; 884 – 885.

110º.Estevão V; Itália; 885 – 896.

111º.Bonifácio VI; Itália; 896 (1 mês).

112º.Estevão VI; Itália; 896 – 897.

113º.Romano; Itália; 897 (4 meses).

114º.Teodoro II; Itália; 897 (1 mês).

115º.João IX; Itália; 898 – 900.

116º.Bento IV (ou Benedito IV); Itália; 900 – 903.

117º.Leão V; Itália; 903 (3 meses).

118º.Sérgio III; Itália; 904 – 911.

119º.Anastácio III; Itália; 911 – 913.

120º.Lando; Itália; 913 – 914.

121º.João X (Giovani de Tossignano); Itália; 914 – 928.

122º.Leão VI; Itália;928 (8 meses).

123º.Estevão VII; Itália; 928 – 931.

124º.João XI; Itália;931 – 935.

125º.Leão VII; Itália;936 – 939.

126º.Estevão VIII; Itália; 939 – 942.

127º.Marino II ou Martinho III ; Itália; 942 – 946.

128º.Agapito II; Itália; 946 – 955.

129º.João XII (Ottaviano); Itália; 955 – 963.

130º.Leão VIII; Itália; 963 – 965 e Bento V (ou Benedito V); ano de 964.

<> Nesta ocasião muitos católicos  não aceitaram  a nomeação do Papa Leão VIII  ao trono pontifício (feita pelo imperador Ótão I), e elegeram Bento V. Assim, No ano de 964 a Igreja esteve sob o governo de dois Papas.

131º.João XIII; Itália; 965 – 972.

132º.Bento VI (ou Benedito VI); Itália; 973 – 974.

133º.Bento VII (ou Benedito VII); Itália; 974 – 983.

134º.João XIV (Pietro Canepanova); Itália; 983 – 984.

135º.João XV; 985 – 996.

136º.Gregório V (Bruno da Caríntia); Alemanha; 996 – 999.

137º.Silvestre II (Gelbert); França; 999 – 1003.

138º.João XVII (Giovanni Sicco); Itália; 1003 (7 meses).

139º.João XVIII (Fasano); Itália; 1003 – 1009.

140º.Sérgio IV (Pietro Buccaporci); Itália; 1009 – 1012.

141º.Bento VIII (ou Benedito VIII); Itália; 1012 – 1024. 

<> Henrique, Imperador da Alemanha, recebeu a  coroa imperial das mãos do Papa Bento VIII. Com a morte de Henrique, a imperatriz Conegundes apresentou-se com toda a pompa  no convento de Kaufungen, que fundara,  onde numa missa solene se desfez dos ornatos que trazia, e recebeu do Bispo um hábito feito pelas próprias mãos.  Quinze anos viveu santamente como religiosa naquele convento. No ano de 1200 foi elevada aos altares.  Sua canonização foi proclamada pelo Papa Inocêncio III.

142º.João XIX; Itália; 1024 – 1032.

143º.Bento IX, ou Benedito IX (Teofilato); Itália; 1032 – 1044 (c.)

144º.Silvestre III (João); Itália; 1045 (2 meses) 

145º.Bento IX (ou BeneditoIX); 1045 (2 meses), pela segunda vez; deposto Itália; 973 – 974.

146º.Gregório VI (Giovani Graziano); Itália; 1045 – 1046. 

147º.Clemente II (Suidger, lorde de Morsleben e Hornburg); Alemanha; 1046 – 1047

148º.Bento IX (ou Benedito IX); 1047 – 1048, pela terceira vez, assume o Pontificado.

149º.Dâmaso II (Poppo); Alemanha; 1048 (2 meses)

150º. São Leão IX (Bruno de Egishein); Alemanha; 1049 – 1054. 

<> Eleito por decisão de membros do clero e governantes. Havendo três pretendentes à tiara pontifícia, foi convocado o congresso de Worms, ao qual compareceu grande número de Bispos, Prelados, Príncipes e embaixadores, com o fim de dar um novo Papa à Cristandade, afastando assim o perigo de um cisma. Ao final do seu pontificado (1054), o patriarca Miguel Cerulário não aceitou as determinações do Papa sobre o rito latino, separando-se da Igreja Católica, o que foi seguido pela maior parte da Igreja Oriental. São Leão foi perseguido e preso pelos normandos e naquele mesmo ano, adoeceu gravemente e faleceu em Roma.  

151º.Vitor II (Gebhard); Alemanha; 1055 – 1057.

152º.Estevão IX (Fréderic); França; 1057 – 1058.

153º.Bento X , ou Benedito X (João Mincius, bispo de Velletri); França; 1058 – 1059.

154º.Nicolau II (Gérard de Bourbogne); França; 1059 – 1061.

155º.Alexandre II (Anselmo do Baggio); Itália; 1061 – 1073.

156º.São Gregório VII (Ildebrando di Soana); Itália; 1073 – 1085. 

<> Triunfou na luta contra a questão das investiduras e simonia, além de iniciar dura campanha para instituição do celibato clerical, fato que culminou na   excomunhão de bispos e padres casados.  No pontificado do Papa Inocêncio II (1130) o celibato foi definitivamente instituído.  

157º.Vitor III (Daufério, Desidério); Itália; 1086 – 1087.

157º.Urbano II , França(Odon de Lagny);

159º.Pascoal II (Raniero di Bieda); Itália; 1099 – 1118.

160º.Gelásio II (Gian di Gaeta); Itália; 1118 – 1119.

161º.Calixto II (Guy de Borgonha); França; 1119 – 1124.

162º.Honório II (Lambert Flagano); França; 1124 – 1130.

163º.Inocênio II ; Itália; 1130 – 1143 (Instituído o celibato no clero).

164º.Celestino II (Guido de Castelo); Itália; 1143 – 1144.

165º.Lúcio II (Geraldo Caccianemici); Itália; 1144 – 1145.

166º.Eugênio III (Bernardo de Montemagno); Itália; 1145 – 1153.

167º.Anastácio IV (Conrado de Subura); Itália; 1153 – 1154.

168º.Adriano IV (Nicholas Breakspear); Inglaterra; 1154 – 1159.

169º.Alexandre III (Rolando Bandinelli); Itália; 1159 – 1181.

170º.Lucio III (Ubaldo Allucingoli); Itália; 1181 – 1185.

171º.Urbano III (Uberto Crivelli); Itália; 1185 – 1187.

172º.Gregório VIII (Alberto de Morra); Itália; 1187 (2 meses).

173º.Clemente III (Paolo Scolari); Itália; 1187 – 1191.

174º.Celestino III (Giacinto Bobo); Itália; 1191 – 1198.

175º.Inocêncio III (Lotario de Segni); Itália; 1198 – 1216.

176º.Honório III (Cencio Savelli); Itália; 1216 – 1227.

177º.Gregório IX (Ugo, conde de Segni) ; Itália; 1227 – 1241.

178º.Celestino IV (Goggredo Castiglioni); Itália; 1241 (2 meses).

179º.Inocêncio IV (Sinibaldo Fieschi); Itália; 1243 – 1254.

180º.Alexandre IV (Rolando de Segni); Itália; 1254 – 1261.

181º.Urbano IV (Jacques de Pantaléon); França; 1261 – 1264.

<> Cruzada na Alemanha e na Boêmia – Contemporâneo de S. Alberto  Magno – 15/11

182º.Clemente IV (Guy Foulques); França; 1265 – 1268.

183º.Gregório X (Tebaldo Visconti); Itália; 1271 – 1276.

184º.Inocêncio V (Pierre de Tarentaise); Itália; 1276 (5 meses).

185º.Adriano V (Ottobono Fieschi); Itália; 1276 (2 meses).

186º.João XXI (Pedro Hispano); Portugal; 1276 – 1277.

187º.Nicolau III (Gaetano Orsini); Itália; 1277 – 1280.

188º.Martinho VI (Simon de Brion); França; 1281 – 1285.

189º.Honório IV (Jacobus Savelli); Itália; 1285 – 1287.

190º.Nicolau IV (Girolamo Masci); Itália; 1288 – 1292. (O conclave durou até 1294)

191º.São Celestino V (Pietro di Morrono); Itália; 1294 (5 meses) 

192º.Bonifácio VIII (Benedeto Gaetano); Itália; 1294 – 1303.

193º.Bento XI,  ou Benedito XI (Niccolò Boccasini); Itália; 1303 – 1304.

194º.Clemente V (Bertrand de Got) ; França ; 1305 – 1314.

195º.João XXII (Jacques Duèse); França; 1316 – 1334.

196º.Bento XII,  ou Benedito XII (Jacques Fournier) França; 1334 – 1342.

197º.Clemente VI (Pierre- Roger de Beaufort) França; 1342 – 1352.

198º.Inocêncio VI (Etienne Aubert) França; 1352 – 1362.

199º.Urbano V (Guilherme de Grimoard) França; 1362 – 1370.

200º.Gregório XI (Pierre-Roger de Beaufort II) França; 1370 – 1378. 

<> Os Papas , desde Clemente V, foram obrigados a  estabelecer residência em Avinhão, na França, isto porque príncipes bandoleiros, não raras vezes franceses, atacaram a Igreja, apoderando-se de seus bens.  Hostilidades de todo o tipo, guerras, crimes, violências, escândalos e heresias surgiram em conseqüência da vitória do Papa Gregório IX (1227 a 1241) que, corajosamente lutou contra os abusos do Estado contra a Igreja.  Foi Henrique IV quem promoveu de forma acentuadíssima  a venda de bispados e abadias a pessoas indignas. Ao ver perdido seu poder, os Papas   sucessores amargaram  a terrível vingança dos sequazes do imperador que, com o orgulho ferido,  não aceitavam a perda do poder  sobre a Igreja. Sob a  influência pacificadora de Santa Catarina de Siena,  o Papa Gregório XI restabeleceu a Santa Sé em Roma,  fato que gerou séria divergência entre Cardeais  Italianos e franceses.  Logo após sua morte, o Papa Urbano VI foi legitimamente eleito, mas os franceses  elegeram outro papa cognominado “Clemente VII”, residente em Avinhão (Ver nota em Urbano VI).  O mau exemplo e insubordinação de príncipes e prelados, instigou o povo à entrega de novas heresias que já despontavam e que iriam culminar posteriormente no levante do protestantismo através de seus propugnadores:  Lutero, na Alemanha;  Zwinglio,  na Suíça; Calvino, na França e Holanda; e Henrique VIII, na Inglaterra. 

201º.Urbano VI (Bartolomeo Prignano) Itália; 1378 – 1389.

<> Início do grande Cisma do Ocidente

<> Cardeais  franceses, não se conformando com as medidas rigorosas e severas do Papa Urbano VI, procederam a eleição de um anti-papa, que adotando o nome de “Clemente VII”, fixou residência novamente em Avinhão, na França.  Ao contrário da versão de muitos historiadores, não houve, nesse período, dualidade de papas, já que Urbano VI foi eleito legitimanente, além do que a Igreja só reconhece no Papa de nome Clemente VII,  Giulio de Medici, que governou a Igreja de 1523 a 1534. Este foi um período marcado por sérias tribulações. Membros do clero e do povo católico dividiram-se entre opiniões diversas e o fogo da rebeldia alastrou-se nutrido por diversas inconveniências. Aqui deu-se o que ficou conhecido como o “Cisma do Ocidente”.

<> Foi o Papa Urbano VI quem prescreveu a  festa da  apresentação de Nossa Senhora

202º.Bonifácio IX (Pietro Tomaselli) Itália; 1389 – 1404. 

<> Durante este pontificado o cardeal Pedro de Luna assumiu como sucessor do anti-papa Clemente VII, que faleceu em 1394.   Pedro de Luna, cognominado Bento XIII (ou Benedito XIII), governou como anti-papa até o pontificado do Papa Gregório XII.  Tinha estreito relacionamento com São Vicente Ferrer, que grande luta travou  para o fim do grande cisma. Apesar de reconhecer em Bento XIII (ou Benedito XIII) sua autoridade eclesiástica na qualidade de cardeal, instou para que renunciasse a autoridade pontifícia, mas não obteve êxito  e, por este motivo, São Vicente  preferiu retirar-se do palácio recusando as dignidades  hierárquicas que repetidamente lhe foram oferecidas. O anti-papa Bento XIII viria a ser destituído  no ano de 1417, pontificado de Gregório XII, por ocasião das determinações firmadas no Concílio de Constança.

203º.Inocêncio VII (Cosimo Migliorati) Itália; 1404 – 1406.

204º.Gregório XII (Angelo Correr) Itália; 1406 – 1415.

<> Fim do grande Cisma do Ocidente

O Papa Gregório XII convoca, em 1414, o Concílio de Constança.  Para pôr ordem na hierarquia da Igreja, baixa o decreto Sacrossanta,  submetendo-se à declarada supremacia do concílio sobre o Papa.  A seguir Gregório XII renuncia ao legítimo pontificado, sendo condenada a doutrina herética de Jan Huss,  destituído Bento XIII,  pondo fim definitivamente ao grande cisma. A mesmo tempo o anti-papa autoproclamado João XXIII,  que havia assumido tal condição na Alemanha, foi detido e em seguida também destituído (Não confundir com Angelo Giuseppe Roncalli, legítimo João XXIII). O próprio concílio de Constança que nasceu “conciliarista”  (detinha poderes equivalentes ao do Papa) decreta, através dos Padres sinodais, o conciliarismo como heresia. Tais fatos desenrolaram-se até novembro de 1417, quando a eleição devolveu  ao cristianismo um único e legítimo pontífice:  Odomo Colonna, que adotou o nome de Martinho V.  Segundo consta, cerca de 80 mil católicos estavam presentes e comemoraram a eleição do novo Papa.

205º.Martinho V (Odomo Colonna) Itália; 1417 – 1431

206º.Eugênio IV (Gabriel Condulmaro) Itália; 1431 – 1447.

207º.Nicolau V (Tomaso Parentucelli) Itália; 1447 – 1455.

208º.Calixto III (Alfonso Borgia) Itália; 1455 – 1458.

209º.Pio II (Enea Silvio Piccolomini) Itália; 1458 – 1464.

<> Canonizou São Vicente Ferrer

210º.Paulo II (Pietro Barbo) Itália; 1464 – 1471.

211º.Xisto IV (Francesco Della Rovere) Itália; 1471 – 1484.

212º.Inocêncio VIII (Giovanni Battista Cibo) Itália; 1484 – 1492.

213º.Alexandre VI (Rodrigo Borgia) Espanha; 1492 – 1503.

214º.Pio III (Francesco Todeschini Piccolomini) Itália; 1503 (2 meses).

215º.Julio II (Giuliano della Rovere) Itália; 1503 – 1513.

216º.Leão X (Giovanni de Medici) Itália; 1513 – 1521.

<> Neste Pontificado Lutero rebela-se. Início do protestantismo.

217º.Adriano VI (Adriano Florenza Dedal) Holanda; 1522 – 1523.

218º.Clemente VII (Giulio de Medici) Itália; 1523 – 1534.

219º.Paulo III (Alessandro Farnese) Itália; 1534 – 1549.

<>Convocado o Concílio de Trento.

220º.Julio III (Giovanni Maria Ciocchi del Monte) Itália; 1550 – 1555.

<> Término do Concilio de Trento. A “contra reforma” já deflagrada por Leão X toma impulso a partir daqui.

221º.Marcelo II (Marcello Cervini ) Itália; 1555 (2 meses).

222º.São Paulo IV (Gian Pietro Carafa – São João Pedro Carafa) Itália; 1555 – 1559.

<>Trinta anos antes de assumir o governo da Igreja (pontificado de Clemente VII), havia fundado a Congregação da Divina Providência junto com São Caetano de Thiene. Defendeu a Igreja na época do levante protestante, representando uma das primeiras colunas da reação católica ao movimento protestante

223º.Pio IV (Giovani Angelo de Medici) Itália; 1559 – 1565. 

(Tio de São Carlos Borromeu – 04/11)

224º.São Pio V (Antonio Chislieri) Itália; 1565 – 1572. 

225º.Gregório XIII (Ugo Boncompagni) Itália; 1572 – 1585

226º.Xisto V (Felipe Peretti) Itália; 1585 – 1590.

227º.Urbano VIII (Giovanni Battista Cestagna) Itália; 1590 (1 mês).

228º.Gregório XIV (Niccolò Sfondrati) Itália; 1590 – 1591.

229º.Inocêncio IX (Giovanni A. Facchinetti) Itália; 1591 (2 meses).

230º.Clemente VIII (Ippolito Aldobrandini) Itália; 1592 – 1605.

231º.Leão XI (Alessandro de Medici) Itália; 1605 (1 mês).

232º.Paulo V (Camilo Borghese) Itália; 1605 – 1621.

233º.Gregório XV (Alessandro Ludovis) Itália; 1621 – 1623.

(Canonizou São Francisco Xavier – 03/12)

234º.Urbano VIII (Maffeo Barberini) Itália; 1623 – 1644.

235º.Inocêncio X (Giovanni Battista Pamphili ) Itália; 1644 – 1655.

236º.Alexandre VIII (Fabio Chigi) Itália; 1655 – 1667.

237º.Clemente IX (Giulio Rospigliosi) Itália; 1667 – 1669.

238º.Clemente X (Emilio Altieri) Itália; 1670 – 1676.

239º.Inocêncio XI (Benedito Odescalchi) Itália; 1676 – 1689.

240º.Alexandre VIII (Pietro Vito Ottoboni) Itália; 1689 – 1691.

241º.Inocêncio XII (Antonio Pignatelli) Itália; 1691 – 1700.

242º.Clemente XI (Giovanni Francesco Albani) Itália; 1700 – 1721.

243º.Inocêncio XIII (Michelangelo dei Conti) Itália; 1721 – 1724.

244º.Bento XIII, ou Benedito XIII (Pietro Francesco Orsini) Itália; 1724 – 1730.

245º.Clemente XII (Lorenzo Corsini) Itália; 1730 – 1740.

246º.Bento XIV, ou Benedito XIV (Prospero Lambertini) Itália; 1740 – 1758. 

247º.Clemente XIII (Carlo Rezzonico) Itália; 1758 – 1769.

248º.Clemente XIV (Giobanni Vincenzo Ganganelli) Itália; 1769 – 1774.

<> Desfez a companhia de Jesus por causa da perseguição. 

249º.Pio VI (Giovanni Angelo Braschi) Itália; 1775 – 1799.

250º.Pio VII (Barnaba Chiaramonti) Itália; 1800 – 1823.(L P. 491 (24/05)

251º.Leão XII (Annibale della Genga) Itália; 1823 – 1829. (Interno: vincular vicente0101)

253º.Pio VIII (Francesco Saverio Castiglioni) Itália; 1829 – 1830.

<> Neste pontificado deu-se a aparição de Nossa Senhora à Santa Catarina de Labouré, ordenando que fosse cunhada a Medalha Milagrosa.

252º.Gregorio XVI (Bartolomeo Alberto Cappelari) Itália; 1831 – 1846.

<> aprovou e abençoou a Medalha Milagrosa

254º.Pio IX (Giovanni Mastai Ferreti) Itália; 1846 – 1878. 

<> Segundo maior pontificado da história (31 anos, sete meses e meio) .  O primeiro lugar pertence a São Pedro (37 anos) e o terceiro, do Papa João Paulo II (25 anos, cinco meses e um dia – em 14/03/04, quando superou Leão XIII)<> Fundada a Associação das Filhas de Maria em 20/06/1847 por

Santa Catarina Labouré, a quem Nossa Senhora trasmitiu a Medalha Milagrosa.

<> Instituido o Dogma da Imaculada Conceição em 1854.

<> Instituído o Dogma da Infalibilidade do Papa.

<> Aparição de Nossa Senhora em Lourdes no ano de 1858, à Santa Bernardete

255º.Leão XIII (Gioacchino Pecci) Itália; 1879 – 1903.

<> Instituiu a 23/07 /1894 a festa da Medalha Milagrosa.

256º.São Pio X (Giuseppe Melchiorre Sarto) Itália; 1903 – 1914.

<> Concedeu 100 dias de indulgência de cada vez que se diga : “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”, invocação esta impressa na Medalha Milagrosa.

<> Instituiu em 08/06/1909 a Associação da Medalha Milagrosa.

<> Início do processo de beatificação de Santa Bernadete Soubirous

257º.Bento XV, ou Benedito XV (Giacomo della Chiesa) Itália; 1914 – 1922.

258º.Pio XI (Achille Ratti) Itália; 1922 – 1939.

<> Por decreto de 16 de julho de  1930 proclamou a  Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. {Ver hist.e S. leonardo (28/11)}

<> Em 14/07/1925 Santa Bernadete Soubirous é proclamada bem-aventurada e,

no mesmo pontificado, 02/07/1933, canonizada.

<> Por decreto de 16 de julho de  1930 proclamou a  Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. {Ver hist.e S. leonardo (28/11)}

<> Em 14/07/1925 Santa Bernadete Soubirous é proclamada bem-aventurada e,

no mesmo pontificado, 02/07/1933, canonizada.

259º.Pio XII (Eugenio Pacelli) Itália; 1939 – 1958.

<> Instituído o Dogma da Assunção de Nossa Senhora

<> Em 27/07/1947 Santa Catarina Labouré é canonizada

260º.João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli) Itália; 1958 – 1963.

261º.Paulo VI (Giovanni Battista Montini) Itália; 1963 – 1978.

262º.João Paulo I (Albino Luciani) Itália; 1978 (33 dias).

263º.João Paulo II (Karol Wojtyla) Polônia; 1978 – 2005.

<> No Dia 14 de março de 2004, o Papa João Paulo II,  com 25 anos, cinco meses e um dia,  superou, em tempo, o pontificado do Papa Leão XIII,  sendo então o terceiro pontificado mais longo da história, precedido apenas por São Pedro (37 anos) e Por Pio IX (31 anos).

<> Leia o testamento do Papa João Paulo II  (versões português e original em italiano

264º.–  Bento XVI, ou Benedito XVI (Joseph Ratzinger) Alemanha,  19 de abril 2005.

Formação: SOBRE OPINIÕES FALSAS QUE


HUMANI GENERIS

SOBRE OPINIÕES FALSAS QUE
 AMEAÇAM A DOUTRINA CATÓLICA

A nossos veneráveis irmãos
os Patriarcas, Primazes, Arcebispos e Bispos
 e demais Ordinários locais em paz e comunhão com a Sé Apostólica 

INTRODUÇÃO

1. As dissensões e erros do gênero humano em questões religiosas e morais têm sido sempre fonte e causa de intensa dor para todas as pessoas de boa vontade e, principalmente, para os filhos fiéis e sinceros da Igreja; mas, de maneira especial, o continuam sendo hoje em dia, quando vemos combatidos até os próprios princípios da cultura cristã.

2. Não é de admirar que haja constantemente discórdias e erros fora do redil de Cristo. Pois, embora possa realmente a razão humana com suas forças e sua luz natural chegar de forma absoluta ao conhecimento verdadeiro e certo de Deus, único e pessoal, que sustém e governa o mundo com sua providência, bem como ao conhecimento da lei natural, impressa pelo Criador em nossas almas, entretanto, não são poucos os obstáculos que impedem a razão de fazer uso eficaz e frutuoso dessa sua capacidade natural. De fato, as verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus transcendem por completo a ordem dos seres sensíveis e, quando entram na prática da vida e a enformam, exigem o sacrifício e a abnegação própria. Ora, o entendimento humano encontra dificuldades na aquisição de tais verdades, já pela ação dos sentidos e da imaginação, já pelas más inclinações, nascidas do pecado original. Isso faz com que os homens, em semelhantes questões, facilmente se persuadam de ser falso e duvidoso o que não querem que seja verdadeiro.

3. Por isso deve-se defender que a revelação divina é moralmente necessária para que, mesmo no estado atual do gênero humano, todos possam conhecer com facilidade, com firme certeza e sem nenhum erro, as verdades religiosas e morais que não são por si inacessíveis à razão.(1)

4. Ademais, por vezes, pode a mente humana encontrar dificuldade mesmo para formar juízo certo sobre a credibilidade da fé católica, não obstante os múltiplos e admiráveis indícios externos ordenados por Deus para se poder provar certamente, por meio deles, a origem divina da religião cristã, exclusivamente com a luz da razão. Isso ocorre porque o homem, levado por preconceitos, ou instigado pelas paixões e pela má vontade, não só pode negar a evidência desses sinais externos, mas também resistir às inspirações sobrenaturais que Deus infunde em nossas almas.

I. FALSAS DOUTRINAS ATUALMENTE EM VOGA

5. Se olharmos para fora do redil de Cristo, facilmente descobriremos as principais direções que seguem não poucos dos homens de estudo. Uns admitem sem discrição nem prudência o sistema evolucionista, que até no próprio campo das ciências naturais não foi ainda indiscutivelmente provado, pretendendo que se deve estendê-lo à origem de todas as coisas, e com ousadia sustentam a hipótese monista e panteísta de um mundo submetido a perpétua evolução. Dessa hipótese se valem os comunistas para defender e propagar seu materialismo dialético e arrancar das almas toda noção de Deus.

6. As falsas afirmações de semelhante evolucionismo pelas quais se rechaça tudo o que é absoluto, firme e imutável, vieram abrir o caminho a uma moderna pseudo-filosofia que, em concorrência contra o idealismo, o imanentismo e o pragmatismo, foi denominada existencialismo, porque nega as essências imutáveis das coisas e não se preocupa mais senão com a “existência” de cada uma delas.

7. Existe igualmente um falso historicismo, que se atém só aos acontecimentos da vida humana e, tanto no campo da filosofia como no dos dogmas cristãos, destrói os fundamentos de toda verdade e lei absoluta.

8. Em meio a tanta confusão de opiniões nos é de algum consolo ao ver os que hoje, não raramente, abandonando as doutrinas do racionalismo em que haviam sido educados, desejam voltar aos mananciais da verdade revelada e reconhecer e professar a palavra de Deus conservada na Sagrada Escritura como fundamento da ciência sagrada. Contudo, ao mesmo tempo, lamentamos que não poucos desses, quanto mais firmemente aderem à palavra de Deus, tanto mais rebaixam o valor da razão humana; e quanto mais entusiasticamente enaltecem a autoridade de Deus revelador, tanto mais asperamente desprezam o magistério da Igreja, instituído por nosso Senhor Jesus Cristo para defender e interpretar as verdades reveladas. Esse modo de proceder não só está em contradição aberta com a Sagrada Escritura, como ainda pela experiência se mostra equívoco. Tanto é assim que os próprios “dissidentes” com freqüência se lamentam publicamente da discórdia que entre eles reina em questões dogmáticas, a tal ponto que se vêem obrigados a confessar a necessidade de um magistério vivo.

II. INFILTRAÇÃO DESSES ERROS NO PENSAMENTO CATÓLICO

9. Os teólogos e filósofos católicos, que têm o grave encargo de defender e imprimir nas almas dos homens as verdades divinas e humanas, não devem ignorar nem desatender essas opiniões que, mais ou menos, se apartam do reto caminho. Pelo contrário, é necessário que as conheçam bem; pois não se podem curar as enfermidades antes de serem bem conhecidas; ademais, nas mesmas falsas afirmações se oculta por vezes um pouco de verdade; e, por fim, essas opiniões falsas incitam a mente a investigar e ponderar com maior diligência algumas verdades filosóficas ou teológicas.

10. Se nossos filósofos e teólogos somente procurassem tirar esse fruto daquelas doutrinas, estudando-as com cautela, não teria motivo para intervir o magistério da Igreja. Embora saibamos que os doutores católicos em geral evitam contaminar-se com tais erros, consta-nos, entretanto, que não faltam hoje os que, como nos tempos apostólicos, amando a novidade mais do que o devido e também temendo que os tenham por ignorantes dos progressos da ciência, intentam subtrair-se à direção do sagrado Magistério e, por esse motivo, acham-se no perigo de apartar-se insensivelmente da verdade revelada e fazer cair a outros consigo no erra.

11. Existe também outro perigo, que é tanto mais grave quanto se oculta sob a capa de virtude. Muitos, deplorando a discórdia do gênero humano e a confusão reinante nas inteligências dos homens e guiados por imprudente zelo das almas, sentem-se levados por interno impulso e ardente desejo a romper as barreiras que separam entre si as pessoas boas e honradas; e propugnam uma espécie de “irenismo” que, passando por alto as questões que dividem os homens, se propõe não somente a combater em união de forças contra o ateísmo avassalaste, senão também a reconciliar opiniões contrárias, mesmo no campo dogmático. E, como houve antigamente os que se perguntavam se a apologética tradicional da Igreja constituía mais impedimento do que ajuda para ganhar almas a Cristo, assim também não faltam agora os que se atreveram a propor seriamente a dúvida de que talvez seja conveniente não só aperfeiçoar mas também reformar completamente a teologia e o método que atualmente, com aprovação eclesiástica, se emprega no ensino teológico, a fim de que se propague mais eficazmente o reino de Cristo em todo o mundo, entre os homens de todas as civilizações e de todas as opiniões religiosas.

12. Se tais propugnadores não pretendessem mais do que acomodar, com alguma renovação, o ensino eclesiástico e seus métodos às condições e necessidades atuais, não haveria quase nada que temer; contudo, alguns deles, arrebatados por imprudente “irenismo”, parecem considerar como óbice para restabelecer a unidade fraterna justamente aquilo que se fundamenta nas próprias leis e princípios legados por Cristo e nas instituições por ele fundadas, ou o que constitui a defesa e o sustentáculo da integridade da fé, com a queda do qual se uniriam todas as coisas, sim, mas somente na comum ruína.

13. Os que, ou por repreensível desejo de novidade, ou por algum motivo louvável, propugnam essas novas opiniões, nem sempre as propõem com a mesma intensidade, nem com a mesma clareza, nem com idênticos termos, nem sempre com unanimidade de pareceres; o que hoje ensinam alguns mais encobertamente, com certas cautelas e distinções, outros mais audazes propalarão amanhã abertamente e sem limitações, com escândalo de muitos, em especial do clero jovem, e com detrimento da autoridade eclesiástica. Mais cautelosamente é costume tratar dessas matérias nos livros que são postos à publicidade, já com maior liberdade se fala nos folhetos distribuídos privadamente e nas conferências e reuniões. E não se divulgam somente estas doutrinas entre os membros de um e outro clero, nos seminários e institutos religiosos, mas também entre os seculares, principalmente aqueles que se dedicam ao ensino da juventude.

III. CONSEQÜÊNCIAS

1. Desprezo da teologia escolástica

14. Quanto à teologia, o que alguns pretendem é diminuir o mais possível o significado dos dogmas e libertá­los da maneira de exprimi-los já tradicional na Igreja, e dos conceitos filosóficos usados pelos doutores católicos, a fim de voltar, na exposição da doutrina católica, às expressões empregadas pela Sagrada Escritura e pelos santos Padres. Esperam que, desse modo, o dogma, despojado de elementos que chamam extrínsecos à revelação divina, possa comparar-se frutuosamente com as opiniões dogmáticas dos que estão separados da unidade da Igreja, e que, por esse caminho, se chegue pouco a pouco à assimilação do dogma católico e das opiniões dos dissidentes.

15. Reduzindo a doutrina católica a tais condições, crêem que se abre também o caminho para obter, segundo exigem as necessidades atuais, que o dogma seja formulado com as categorias da filosofia moderna, quer se trate do imanentismo, ou do idealismo, ou do existencialismo, ou de qualquer outro sistema. Alguns mais audazes afirmam que isso se pode e se deve fazer também em virtude de que, segundo eles, os mistérios da fé nunca se podem expressar por conceitos plenamente verdadeiros, mas só por conceitos aproximativos e que mudam continuamente, por meio dos quais a verdade se indica, é certo, mas também necessariamente se desfigura. Por isso não pensam ser absurdo, mas antes, pelo contrário, crêem ser de todo necessário que a teologia, conforme os diversos sistemas filosóficos que no decurso do tempo lhe servem de instrumento, vá substituindo os antigos conceitos por outros novos; de sorte que, de maneiras diversas e até certo ponto opostas, porém, segundo eles, equivalentes, faça humanas aquelas verdades divinas. Acrescentam que a história dos dogmas consiste em expor as várias formas que sucessivamente foi tomando a verdade revelada, de acordo com as várias doutrinas e opiniões que através dos séculos foram aparecendo.

16. Pelo que foi dito é evidente que tais esforços não somente levam ao relativismo dogmático, mas já de fato o contém, pois o desprezo da doutrina tradicional e de sua terminologia favorece tal relativismo e o fomenta. Ninguém ignora que os termos empregados, tanto no ensino da teologia como pelo próprio magistério da Igreja, para expressar tais conceitos podem ser aperfeiçoados e enriquecidos. É sabido também que a Igreja não foi sempre constante no uso dos mesmos termos. Ademais, é evidente que a Igreja não se pode ligar a qualquer efêmero sistema filosófico; entretanto, as noções e os termos que os doutores católicos, com geral aprovação, foram compondo durante o espaço de vários séculos para chegar a obter alguma inteligência do dogma não se assentam, sem dúvida, sobre bases tão escorregadias. Fundam-se realmente em princípios e noções deduzidas do verdadeiro conhecimento das coisas criadas; dedução realizada à luz da verdade revelada, que, por meio da Igreja, iluminava, como uma estrela, a mente humana. Por isso, não há que admirar terem sido algumas dessas noções não só empregadas mas também sancionadas por concílios ecumênicos; de sorte que não é lícito apartar-se delas.

17. Abandonar, pois, ou repelir, ou negar valor a tantas e tão importantes noções e expressões que homens de talento e santidade não comuns, com esforço multissecular, sob a vigilância do sagrado magistério e com a luz e guia do Espírito Santo, conceberam, expressaram e aperfeiçoaram para exprimir as verdades da fé cada vez com maior exatidão, e substituí-las por noções hipotéticas e expressões flutuantes e vagas de uma filosofia moderna que, assim como a flor do campo, hoje existe e amanhã cairá, não só é de suma imprudência, mas também converte o dogma numa cana agitada pelo vento. O desprezo dos termos e noções que os teólogos escolásticos costumam empregar leva naturalmente a abalar a teologia especulativa, a qual, por fundar-se em razões teológicas, eles julgam carecer de verdadeira certeza.

2. Desprezo do magistério da Igreja

18. Desgraçamente, esses amigos de novidades facilmente passam do desprezo da teologia escolástica ao pouco caso e até mesmo ao desprezo do próprio magistério da Igreja, que tanto prestígio tem dado com a sua autoridade àquela teologia. Apresentam este magistério como empecilho ao progresso e obstáculo à ciência; e já existem acatólicos que o consideram como freio injusto, que impede alguns teólogos mais cultos de renovar a teologia. Embora este sagrado magistério, em questões de fé e moral, deva ser para todo teólogo a norma próxima e universal da verdade (visto que a ele confiou nosso Senhor Jesus Cristo a guarda, a defesa e a interpretação do depósito da fé, ou seja, das Sagradas Escrituras e da Tradição divina), contudo, por vezes se ignora, como se não existisse, a obrigação que têm todos os fiéis de fugir mesmo daqueles erros que se aproximam mais ou menos da heresia e, portanto, de observar também as constituições e decretos em que a Santa Sé proscreveu e proibiu tais falsas opiniões. (2) Alguns há que de propósito desconhecem tudo quanto os sumos pontífices expuseram nas encíclicas sobre o caráter e a constituição da Igreja, a fim de fazer prevalecer um conceito vago, que eles professam e dizem ter tirado dos antigos Padres, principalmente dos gregos. Os sumos pontífices, dizem eles, não querem dirimir questões disputadas entre os teólogos; e, assim, cumpre voltar às fontes primitivas e explicar com os escritos dos antigos as modernas constituições e decretos do magistério.

19. Esse modo de falar pode parecer eloqüente, mas não carece de falácia. Pois é verdade que os romanos pontífices em geral concedem liberdade aos teólogos nas questões controvertidas entre os mais acreditados doutores; porém, a história ensina que muitas questões que antes eram objeto de livre discussão já não podem ser discutidas.

20. Nem se deve crer que os ensinamentos das encíclicas não exijam, por si, assentimento, sob alegação de que os sumos pontífices não exercem nelas o supremo poder de seu magistério. Entretanto, tais ensinamentos provêm do magistério ordinário, para o qual valem também aquelas palavras: “Quem vos ouve a mim ouve” (Lc 10,16); e, na maioria das vezes, o que é proposto e inculcado nas encíclicas, já por outras razões pertence ao patrimônio da doutrina católica. E, se os romanos pontífices em suas constituições pronunciam de caso pensado uma sentença em matéria controvertida, é evidente que, segundo a intenção e vontade dos mesmos pontífices, essa questão já não pode ser tida como objeto de livre discussão entre os teólogos.

21. Também é verdade que os teólogos devem sempre voltar às fontes da revelação; pois, a eles cabe indicar de que maneira “se encontra, explícita ou implicitamente” na Sagrada Escritura e na divina Tradição o que ensina o magistério vivo. Ademais, ambas as fontes da doutrina revelada contêm tantos e tão sublimes tesouros de verdade que nunca realmente se esgotarão. Por isso, com o estudo das fontes sagradas rejuvenescem continuamente as sagradas ciências; ao passo que, pelo contrário, a especulação que deixa de investigar o depósito da fé se torna estéril, como vemos pela experiência. Entretanto, isto não autoriza a fazer da teologia, mesmo da chamada positiva, uma ciência meramente histórica. Pois, junto com as sagradas fontes, Deus deu à sua Igreja o magistério vivo para esclarecer também e salientar o que no depósito da fé não se acha senão obscura e como que implicitamente. E o divino Redentor não confiou a interpretação autêntica desse depósito a cada um dos fiéis, nem mesmo aos teólogos, mas exclusivamente ao magistério da Igreja. Se a Igreja exerce esse múnus (como o tem feito com freqüência no decurso dos séculos pelo exercício, quer ordinário, quer extraordinário desse mesmo ofício), é evidentemente falso o método que pretende explicar o claro pelo obscuro; antes, pelo contrário, faz-se mister que todos sigam a ordem inversa. Eis porque nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, ao ensinar que é dever nobilíssimo da teologia mostrar como uma doutrina definida pela Igreja está contida nas fontes, não sem grave motivo acrescentou aquelas palavras; “com o mesmo sentido com o qual foi definida pela Igreja”.(3)

3. Desprezo das Sagradas Escrituras

22. Voltando às novas teorias de que acima tratamos, alguns há que propõem ou insinuam nos ânimos muitas opiniões que diminuem a autoridade divina da Sagrada Escritura. Pois atrevem-se a adulterar o sentido das palavras com que o concílio Vaticano define que Deus é o autor da Sagrada Escritura, e renovam uma teoria já muitas vezes condenada, segundo a qual a inerrância da Sagrada Escritura se estende unicamente aos textos que tratam de Deus mesmo, ou da religião, ou da moral. Ainda mais, sem razão falam de um sentido humano da Bíblia, sob o qual se oculta o sentido divino, que é, segundo eles, o único infalível. Na interpretação da Sagrada Escritura não querem levar em consideração a analogia da fé nem a tradição da Igreja; de modo que a doutrina dos santos Padres e do Sagrado magistério deveria ser aferida por aquela das Sagradas Escrituras explicadas pelos exegetas de modo puramente humano; o que seria preferível a expor a sagrada Escritura conforme a mente da Igreja, que foi constituída por nosso Senhor Jesus Cristo guarda e intérprete de todo o depósito das verdades reveladas.

23. Além disso, o sentido literal da Sagrada Escritura e sua exposição, que tantos e tão exímios exegetas, sob a vigilância da Igreja, elaboraram, deve ceder lugar, segundo essas falsas opiniões, a uma nova exegese a que chamam simbólica ou espiritual; por meio dela, os livros do Antigo Testamento, que seriam atualmente na Igreja uma fonte fechada e oculta, se abririam finalmente para todos. Dessa maneira, afirmam, desaparecerão todas as dificuldades que somente encontram os que se atêm ao sentido literal das Escrituras.

24. Todos vêem quanto se afastam essas opiniões dos princípios e normas de hermenêutica justamente estabelecidos por nossos predecessores de feliz memória, Leão XIII, na encíclica Providentissimus, e Bento XV, na encíclica Spiritus Paraclitus, e também por nós mesmo, na encíclica Divino Afflante Spiritu.

4 . Erros subseqüentes

25. E não há que admirar terem essas novidades produzido frutos venenosos em quase todos os capítulos da teologia. Põe-se em dúvida que a razão humana, sem o auxílio da divina revelação e da graça divina, possa demonstrar a existência de Deus pessoal, com argumentos tirados das coisas criadas; nega-se que o mundo tenha tido princípio e afirma-se que a criação do mundo é necessária, pois procede da necessária liberalidade do amor divino; nega-se também a Deus a presciência eterna e infalível das ações livres dos homens; opiniões de todo contrárias às declarações do concílio Vaticano.(4)

26. Alguns também põem em discussão se os anjos são pessoas; e se a matéria difere essencialmente do espírito. Outros desvirtuam o conceito de gratuidade da ordem sobrenatural, sustentando que Deus não pode criar seres inteligentes sem ordená-los e chamá-los à visão beatífica. E não só isso, mas, ainda, passando por cima das definições do concílio de Trento, destrói-se o conceito de pecado original juntamente com o de pecado em geral, como ofensa a Deus, e também o da satisfação que Cristo ofereceu por nós. Nem faltam os que defendem que a doutrina da transubstanciação, baseada como está num conceito filosófico já antiquado de substância, deve ser corrigida; de maneira que a presença real de Cristo na santíssima eucaristia se reduza a um simbolismo, no qual as espécies consagradas não são mais do que sinais externos da presença espiritual de Cristo e de sua união íntima com os féis, membros seus no corpo místico.

27. Alguns não se consideram obrigados a abraçar a doutrina que há poucos anos expusemos numa encíclica e que está fundamentada nas fontes da revelação, segundo a qual o corpo místico de Cristo e a Igreja católica romana são uma mesma coisa.(5) Outros reduzem a uma fórmula vã a necessidade de pertencer à Igreja verdadeira para conseguir a salvação eterna. E outros, malmente, não admitem o caráter racional da credibilidade da fé cristã.

28. Sabemos que esses e outros erros semelhantes serpenteiam entre alguns filhos nossos, desviados pelo zelo imprudente ou pela falsa ciência; e nos vemos obrigado a repetir-lhes, com tristeza, verdades conhecidíssimas e erros manifestos, e a indicar-lhes, não sem ansiedade, os perigos de erro a que se expõem.

5. Desprezo da filosofia escolástica

29. É coisa sabida o quanto estima a Igreja a humana razão, à qual compete demonstrar com certeza a existência de Deus único e pessoal, comprovar invencivelmente os fundamentos da própria fé cristã por meio de suas notas divinas, expressar de maneira conveniente a lei que o Criador imprimiu nas almas dos homens, e, por fim, alcançar algum conhecimento, por certo frutuosíssimo, dos mistérios.(6) Mas a razão somente poderá exercer tal oficio de modo apto e seguro se tiver sido cultivada convenientemente, isto é, se houver sido nutrida com aquela sã filosofia, que é já como que um patrimônio herdado das precedentes gerações cristãs e que por conseguinte goza de uma autoridade de ordem superior, porquanto o próprio Magistério da Igreja utilizou os seus princípios e os seus fundamentais assertos, manifestados e definidos lentamente por homens de grande talento, para comprovar a mesma revelação divina. Essa filosofia, reconhecida e aceita pela Igreja, defende o verdadeiro e reto valor do conhecimento humano, os inconcussos princípios metafísicos, a saber, os da razão suficiente, causalidade e finalidade, e a posse da verdade certa e imutável.

30. É verdade que em tal filosofia se expõem muitas coisas que, nem direta, nem indiretamente, se referem à fé ou aos costumes, e que, por isso mesmo, a Igreja deixa à livre disputa dos peritos; entretanto, em outras muitas não existe tal liberdade, principalmente no que diz respeito aos princípios e aos fundamentais assertos que há pouco recordamos. Mesmo nessas questões fundamentais pode-se revestir a filosofia com mais aptas e ricas vestes, reforçá-la com mais eficazes expressões, despojá-la de certos modos escolares menos adequados, enriquecê-la com cautela com certos elementos do progressivo pensamento humano; contudo, jamais é licito derrubá-la ou contaminá-la com falsos princípios, ou estimá-la como um grande monumento, mas já fora de moda. Pois a verdade e sua expressão filosófica não podem mudar com o tempo, principalmente quando se trata dos princípios que a mente humana conhece por si mesmos, ou daqueles juízos que se apóiam tanto na sabedoria dos séculos como no consenso e fundamento da revelação divina. Qualquer verdade que a mente humana, procurando com retidão, descobre não pode estar em contradição com outra verdade já alcançada, pois Deus, verdade suprema, criou e rege a humana inteligência, de tal modo que não opõe cada dia novas verdades às já adquiridas, mas, apartados os erros que porventura se tiverem introduzido, edifica a verdade sobre a verdade, de forma tão ordenada e orgânica como vemos estar constituída a própria natureza da qual se extrai a verdade. Por esse motivo o cristão, seja filósofo, seja teólogo, não abraça apressada e levianamente qualquer novidade que no decurso do tempo se proponha, mas deve sopesá-la com suma diligência e submetê-la a justo exame a fim de que não venha perder a verdade já adquirida ou a corrompa, com grave perigo e detrimento da mesma fé.

31. Se tudo quanto expusemos for bem considerado, facilmente se compreenderá porque a Igreja exige que os futuros sacerdotes sejam instruídos nas disciplinas filosóficas,  segundo o método, a doutrina e os princípios do Doutor Angélico,(7) visto que, através da experiência de muitos séculos, conhece perfeitamente que o método e o sistema do Aquinate se distinguem por seu valor singular, tanto para a educação dos jovens quanto para a investigação das mais recônditas verdades, e que sua doutrina está afinada como que em uníssono com a divina revelação e é eficacíssima para assegurar os fundamentos da fé e para recolher de modo útil e seguro os frutos do são progresso.(8)

32. E, pois, altamente deplorável que hoje em dia desprezem alguns a filosofia que a Igreja aceitou e aprovou, e que, imprudentemente, a tachem de antiquada em suas formas e racionalística, como dizem, em seus processos. Pois afirmam que essa nossa filosofa defende erroneamente a possibilidade de uma metafísica absolutamente verdadeira, ao passo que eles sustentam, contrariamente, que as verdades, principalmente as transcendentes, só podem ser expressas por doutrinas divergentes que mutuamente se completam, embora pareçam opor-se entre si. Pelo que, concedem que a filosofia ensinada em nossas escolas, com a lúcida exposição e solução dos problemas, com a exata precisão de conceitos e com as claras distinções, pode ser conveniente preparação ao estudo da teologia, como de fato o foi adaptando-se perfeitamente à mentalidade medieval; crêem, porém, que não é o método que corresponde à cultura e às necessidades modernas. Acrescentam, ainda, que a filosofia perene é só a filosofia das essências imutáveis, enquanto a mente moderna deve considerar a “existência” de cada um dos seres e a vida em sua fluência contínua. E, ao desprezarem esta filosofia, enaltecem outras, antigas ou modernas, orientais ou ocidentais, de forma tal a parecer insinuar que toda filosofia ou doutrina opinável, com o acréscimo de algumas correções ou complementos, se for necessário, harmonizar-se-á com o dogma católico; o que nenhum fiel pode duvidar seja de todo falso, principalmente quando se trata dos errôneos sistemas chamados imanentismo, ou idealismo, ou materialismo, seja histórico, seja dialético, ou também existencialismo, tanto no caso de defender o ateísmo, quanto no de impugnar o valor do raciocínio metafísico.

33. Por fim, acusam a filosofia ensinada em nossas escolas do defeito de atender só à inteligência no processo do conhecimento, sem levar em conta o papel da vontade e dos sentimentos. O que certamente não é verdade; de fato, a filosofia cristã jamais negou a utilidade e a eficácia das boas disposições de toda alma para conhecer e abraçar plenamente os princípios religiosos e morais; ainda mais, sempre ensinou que a falta de tais disposições pode ser a causa de que o entendimento, sufocado pelas paixões e pela má vontade, se obscureça a ponto de não mais ver como convém. E o Doutor Comum crê que o entendimento é capaz de perceber de certo modo os mais altos bens correspondentes à ordem moral, tanto natural como sobrenatural, enquanto experimentar no íntimo certa afetiva “conaturalidade” com esses mesmos bens, seja ela natural, seja fruto da graça; (9) e claro está quanto esse conhecimento, por assim dizer, subconsciente, ajuda as investigações da razão. Porém, uma coisa é reconhecer a força dos sentimentos para auxiliar a razão a alcançar conhecimento mais certo e mais seguro das realidades morais, e outra o que intentam esses inovadores, isto é, atribuir às faculdades volitiva e afetiva certo poder de intuição, e afirmar que o homem, quando, pelo exercício da razão, não pode discernir o que deva abraçar como verdadeiro, recorra à vontade, mediante a qual escolherá livremente entre as opiniões opostas, com inaceitável mistura de conhecimento e de vontade.

34. Nem há que admirar se ponham em perigo, com essas novas opiniões, as duas disciplinas filosóficas que, pela sua própria natureza, estão estreitamente relacionadas com a doutrina católica, a saber, a teodicéia e a ética, cuja função acreditam não seja demonstrar coisa alguma acerca de Deus ou de qualquer outro ser transcendente, mas antes mostrar que os ensinamentos da fé sobre Deus, ser pessoal, e seus preceitos, estão inteiramente de acordo com as necessidades da vida e que por isso mesmo todos devem aceitá-los para evitar a desesperação e obter a salvação eterna; tudo isso está em oposição aberta aos documentos de nossos predecessores Leão XIII e Pio X e não se pode conciliar com os decretos do concílio Vaticano. Não haveria, certamente, tais desvios da verdade que deplorar se também no terreno filosófico todos olhassem com a devida reverência ao magistério da Igreja, ao qual compete, por divina instituição, não só custodiar e interpretar o depósito da verdade revelada, mas também vigiar sobre as disciplinas filosóficas para que os dogmas católicos não sofram dano algum da parte das opiniões não corretas.

6. Erros relativos a certas ciências positivas

35. Resta-nos agora dizer algo acerca de algumas questões que, embora pertençam às disciplinas a que é costume chamar positivas, entretanto, se entrelaçam mais ou menos com as verdades da fé cristã. Não poucos rogam insistentemente que a religião católica tenha em máxima conta a tais ciências; o que é certamente digno de louvor quando se trata de fatos na realidade demonstrados, mas que hão de admitir-se com cautela quando se trata de hipóteses, ainda que de algum modo apoiadas na ciência humana, que tocam a doutrina contida na sagrada Escritura ou na tradição. Se tais conjecturas opináveis se opõem direta ou indiretamente à doutrina que Deus revelou, então esses postulados não se podem admitir de modo algum.

36. Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus), segundo o estágio atual das ciências humanas e da sagrada teologia, de modo que as razões de uma e outra opinião, isto é, dos que defendem ou impugnam tal doutrina, sejam ponderadas e julgadas com a devida gravidade, moderação e comedimento, contanto que todos estejam dispostos a obedecer ao ditame da Igreja, a quem Cristo conferiu o encargo de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras e de defender os dogmas da fé.(10) Porém, certas pessoas, ultrapassam com temerária audácia essa liberdade de discussão, agindo como se a própria origem do corpo humano a partir de matéria viva preexistente fosse já certa e absolutamente demonstrada pelos indícios até agora achados e pelos raciocínios neles baseados, e como se nada houvesse nas fontes da revelação que exigisse a máxima moderação e cautela nessa matéria.

37. Mas, tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais; já que não se vê claro de que modo tal afirmação pode harmonizar-se com o que as fontes da verdade revelada e os documentos do magistério da Igreja ensinam acerca do pecado original, que procede do pecado verdadeiramente cometido por um só Adão e que, transmitindo-se a todos os homens pela geração, é próprio de cada um deles.(11)

38. Da mesma forma que nas ciências biológicas e antropológicas, há alguns que também nas históricas ultrapassam audazmente os limites e cautelas estabelecidos pela Igreja. De modo particular, é deplorável a maneira extraordinariamente livre de interpretar os livros históricos do Antigo Testamento. Os fautores dessa tendência, para defender a sua causa, invocam indevidamente a carta que há não muito tempo a Comissão Pontifícia para os estudos bíblicos enviou ao arcebispo de Paris.(12) Essa carta adverte claramente que os onze primeiros capítulos do Gênesis, embora não concordem propriamente com o método histórico usado pelos exímios historiadores greco-latinos e modernos, não obstante, pertencem ao gênero histórico em sentido verdadeiro, que os exegetas hão de investigar e precisar; e que os mesmos capítulos, com estilo singelo e figurado, acomodado à mente do povo pouco culto, contêm as verdades principais e fundamentais em que se apóia a nossa própria salvação, bem como uma descrição popular da origem do gênero humano e do povo escolhido. Mas, se os antigos hagiógrafos tomaram alguma coisa das tradições populares (o que se pode certamente conceder), nunca se deve esquecer que eles assim agiram ajudados pelo sopro da divina inspiração, a qual os tornava imunes de todo erro ao escolher e julgar aqueles documentos.

39. Todavia, o que se inseriu na Sagrada Escritura tirado das narrações populares, de modo algum deve comparar-se com as mitologias e outras narrações de tal gênero, as quais procedem mais de uma ilimitada imaginação do que daquele amor à simplicidade e à verdade que tanto resplandece nos livros do Antigo Testamento, a tal ponto que os nossos hagiógrafos devem ser tidos neste particular como claramente superiores aos antigos escritores profanos.

IV. DIRETRIZES

40. Sabemos, é verdade, que a maior parte dos doutores católicos, que com sumo proveito trabalham nas universidades, nos seminários e nos colégios religiosos, estão muito longe desses erros que hoje aberta e ocultamente se divulgam, ou por certo afã de novidades, ou por imoderado desejo de apostolado. Porém, sabemos também que tais opiniões novas podem atrair os incautos, e, por isso mesmo, preferimos nos opor aos começos do que oferecer remédio a uma enfermidade inveterada.

41. Pelo que, depois de meditar e considerar largamente diante do Senhor, para não faltar ao nosso sagrado dever, mandamos aos bispos e aos superiores religiosos, onerando gravissimamente suas consciências, que com a máxima diligência procurem que, nem nas classes, nem nas reuniões, nem em escritos de qualquer gênero, se exponham tais opiniões de modo algum, nem aos clérigos, nem aos fiéis cristãos.

42. Saibam quantos ensinam em institutos eclesiásticos que não poderão em consciência exercer o oficio de ensinar, que lhes foi comado, se não receberem religiosamente as normas que temos dado e se não as cumprirem escrupulosamente na formação dos discípulos. E procurem infundir nas mentes e nos corações dos mesmos aquela reverência e obediência que eles próprios em seu assíduo labor devem professar ao magistério da Igreja.

43. Esforcem-se com todo o alento e emulação por fazer avançar as ciências que professam; mas, evitem também ultrapassar os limites por nós estabelecidos para salvaguardar a verdade da fé e da doutrina católica. Às novas questões que a moderna cultura e o progresso do tempo suscitaram, apliquem sua mais diligente investigação, entretanto, com a conveniente prudência e cautela; e, finalmente, não creiam, cedendo a um falso “irenismo”, que os dissidentes e os que estão no erro possam ser atraídos com pleno êxito, a não ser que a verdade íntegra que está viva na Igreja seja ensinada por todos sinceramente, sem corrupção nem diminuição alguma.

V. CONCLUSÃO

44. Fundados nessa esperança, que vossa pastoral solicitude ainda aumentará, concedemos, de todo o coração, como penhor dos dons celestiais e em sinal de nossa paterna benevolência, a todos vós, veneráveis irmãos, a vosso clero e a vosso povo, a bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 12 de agosto de 1950, ano XII de nosso pontificado.

PIO PP. XII

Formação: SOBRE A REGULAÇÃO DA NATALIDADE


CARTA ENCÍCLICA
HUMANAE VITAE
DE SUA SANTIDADE O
 PAPA PAULO VI 
SOBRE A REGULAÇÃO DA NATALIDADE

Aos veneráveis Irmãos Patriarcas,
Arcebispos, Bispos e outros Ordinários do Lugar
em paz e comunhão com a Sé Apostólica,
ao Clero e aos Fiéis de todo o mundo católico
e também a todos os homens de boa vontade.

Veneráveis Irmãos e diletos filhos

A transmissão da vida

1. O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias.

Em todos os tempos o cumprimento deste dever pôs à consciência dos cônjuges sérios problemas; mas, mais recentemente, com o desenvolver-se da sociedade, produziram-se modificações tais, que fazem aparecer questões novas que a Igreja não podia ignorar, tratando-se de matéria que tão de perto diz respeito à vida e à felicidade dos homens.

I. ASPECTOS NOVOS DO PROBLEMA E COMPETÊNCIA DO MAGISTÉRIO

Visão nova do problema

2. As mudanças que se verificaram foram efetivamente notáveis e de vários gêneros. Trata-se, antes de mais, do rápido desenvolvimento demográfico. Muitos são os que manifestam o receio de que a população mundial cresça mais rapidamente do que os recursos à sua disposição, com crescente angústia de tantas famílias e de povos em vias de desenvolvimento. De tal modo que é grande a tentação das Autoridades de contrapor a este perigo medidas radicais. Depois, as condições de trabalho e de habitação, do mesmo modo que as novas exigências, tanto no campo econômico como no da educação, não raro tornam hoje difícil manter convenientemente um número elevado de filhos.

Assiste-se também a uma mudança, tanto na maneira de considerar a pessoa da mulher e o seu lugar na sociedade, quanto no considerar o valor a atribuir ao amor conjugal no matrimônio, como ainda no apreço a dar ao significado dos atos conjugais, em relação com este amor.

Finalmente, deve-se sobretudo considerar que o homem fez progressos admiráveis no domínio e na organização racional das forças da natureza, de tal maneira que tende a tornar extensivo esse domínio ao seu próprio ser global: ao corpo, à vida psíquica, à vida social e até mesmo às leis que regulam a transmissão da vida.

3. O novo estado de coisas faz surgir novos quesitos. Assim, dadas as condições da vida hodierna e dado o significado que têm as relações conjugais para a harmonia entre os esposos e para a sua fidelidade mútua, não estaria indicada uma revisão das normas éticas vigentes até agora, sobretudo se se tem em consideração que elas não podem ser observadas sem sacrifícios, por vezes heróicos?

Mais ainda: estendendo o chamado “princípio de totalidade” a este campo, não se poderia admitir que a intenção de uma fecundidade menos exuberante, mas mais racionalizada, transforma a intervenção materialmente esterilizaste num sensato e legítimo controle dos nascimentos? Por outras palavras, não se poderia admitir que a fecundidade procriadora pertence ao conjunto da vida conjugal, mais do que a cada um dos seus atos? Pergunta-se também, se, dado o sentido de responsabilidade mais desenvolvido do homem moderno, não chegou para ele o momento de confiar à sua razão e à sua vontade, mais do que aos ritmos biológicos do seu organismo, a tarefa de transmitir a vida.

A competência do Magistério

4. Tais problemas exigiam do Magistério da Igreja uma reflexão nova e aprofundada sobre os princípios da doutrina moral do matrimônio: doutrina fundada sobre a lei natural, iluminada e enriquecida pela Revelação divina.

Nenhum fiel quererá negar que compete ao Magistério da Igreja interpretar também a lei moral natural. É incontestável, na verdade, como declararam muitas vezes os nossos predecessores,(1) que Jesus Cristo, ao comunicar a Pedro e aos Apóstolos a sua autoridade divina e ao enviá-los a ensinar a todos os povos os seus mandamentos, (2) os constituía guardas e intérpretes autênticos de toda a lei moral, ou seja, não só da lei evangélica, como também da natural, dado que ela é igualmente expressão da vontade divina e que a sua observância é do mesmo modo necessária para a salvação.(3)

Em conformidade com esta sua missão, a Igreja apresentou sempre, e mais amplamente em tempos recentes, um ensino coerente, tanto acerca da natureza do matrimônio, como acerca do reto uso dos direitos conjugais e acerca dos deveres dos cônjuges.(4)

Estudos especiais

5. A consciência desta mesma missão levou-nos a confirmar e a ampliar a Comissão de Estudo, que o nosso predecessor, de venerável memória, João XXIII tinha constituído, em março de 1963. Esta Comissão, que incluía também alguns casais de esposos, além de muitos estudiosos das várias matérias pertinentes, tinha por finalidade: primeiro, recolher opiniões sobre os novos problemas respeitantes à vida conjugal e, em particular, à regulação da natalidade; e depois, fornecer os elementos oportunos de informação, para que o Magistério pudesse dar uma resposta adequada à expectativa não só dos fiéis, mas mesmo da opinião pública mundial. (5)

Os trabalhos destes peritos, assim como os pareceres e os conselhos que se lhes vieram juntar, enviados espontaneamente ou adrede solicitados, de bom número dos nossos irmãos no episcopado, permitiram-nos ponderar melhor todos os aspectos deste assunto complexo. Por isso, do fundo do coração, exprimimos a todos o nosso vivo reconhecimento.

A resposta do Magistério

6. As conclusões a que tinha chegado a Comissão não podiam, contudo, ser consideradas por nós como definitivas, nem dispensar-nos de um exame pessoal do grave problema; até mesmo porque, no seio da própria Comissão, não se tinha chegado a um pleno acordo de juízos, acerca das normas morais que se deviam propor e, sobretudo, porque tinham aflorado alguns critérios de soluções que se afastavam da doutrina moral sobre o matrimônio, proposta com firmeza constante, pelo Magistério da Igreja.

Por isso, depois de termos examinado atentamente a documentação que nos foi preparada, depois de aturada reflexão e de insistentes orações, é nossa intenção agora, em virtude do mandato que nos foi confiado por Cristo, dar a nossa resposta a estes graves problemas.

II. PRINCÍPIOS DOUTRINAIS 

Uma visão global do homem

7. O problema da natalidade, como de resto qualquer outro problema que diga respeito à vida humana, deve ser considerado numa perspectiva que transcenda as vistas parciais – sejam elas de ordem biológica, psicológica, demográfica ou sociológica – à luz da visão integral do homem e da sua vocação, não só natural e terrena, mas também sobrenatural e eterna. E, porque na tentativa de justificar os métodos artificiais de limitação dos nascimentos, houve muito quem fizesse apelo para as exigências, tanto do amor conjugal como de uma “paternidade responsável”, convém precisar bem a verdadeira concepção destas duas grandes realidades da vida matrimonial, atendo-nos principalmente a tudo aquilo que, a este propósito, foi recentemente exposto, de forma altamente autorizada, pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, na Constituição Pastoral “Gaudium et Spes”.

O amor conjugal

8. O amor conjugal exprime a sua verdadeira natureza e nobreza, quando se considera na sua fonte suprema, Deus que é Amor (6), “o Pai, do qual toda a paternidade nos céus e na terra toma o nome”.(7)

O matrimônio não é, portanto, fruto do acaso, ou produto de forças naturais inconscientes: é uma instituição sapiente do Criador, para realizar na humanidade o seu desígnio de amor. Mediante a doação pessoal recíproca, que lhes é própria e exclusiva, os esposos tendem para a comunhão dos seus seres, em vista de um aperfeiçoamento mútuo pessoal, para colaborarem com Deus na geração e educação de novas vidas.

Depois, para os batizados, o matrimônio reveste a dignidade de sinal sacramental da graça, enquanto representa a união de Cristo com a Igreja.

AS CARACTERÍSTICAS DO AMOR CONJUGAL

9. Nesta luz aparecem-nos claramente as notas características do amor conjugal, acerca das quais é da máxima importância ter uma idéia exata.

É, antes de mais, um amor plenamente humano, quer dizer, ao mesmo tempo espiritual e sensível. Não é, portanto, um simples ímpeto do instinto ou do sentimento; mas é também, e principalmente, ato da vontade livre, destinado a manter-se e a crescer, mediante as alegrias e as dores da vida cotidiana, de tal modo que os esposos se tornem um só coração e uma só alma e alcancem juntos a sua perfeição humana.

É depois, um amor total, quer dizer, uma forma muito especial de amizade pessoal, em que os esposos generosamente compartilham todas as coisas, sem reservas indevidas e sem cálculos egoístas. Quem ama verdadeiramente o próprio consorte, não o ama somente por aquilo que dele recebe, mas por ele mesmo, por poder enriquecê-lo com o dom de si próprio.

É, ainda, amor fiel e exclusivo, até à morte. Assim o concebem, efetivamente, o esposo e a esposa no dia em que assumem, livremente e com plena consciência, o compromisso do vínculo matrimonial. Fidelidade que por vezes pode ser difícil; mas que é sempre nobre e meritória, ninguém o pode negar. O exemplo de tantos esposos, através dos séculos, demonstra não só que ela é consentânea com a natureza do matrimônio, mas que é dela, como de fonte, que flui uma felicidade íntima e duradoura.

É, finalmente, amor fecundo que não se esgota na comunhão entre os cônjuges, mas que está destinado a continuar-se, suscitando novas vidas. “O matrimônio e o amor conjugal estão por si mesmos ordenados para a procriação e educação dos filhos. Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.(8)

10. Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de “paternidade responsável”, sobre a qual hoje tanto se insiste, e justificadamente, e que deve também ser compreendida com exatidão. De fato, ela deve ser considerada sob diversos aspectos legítimos e ligados entre si.

Em relação com os processos biológicos, paternidade responsável significa conhecimento e respeito pelas suas funções: a inteligência descobre, no poder de dar a vida, leis biológicas que fazem parte da pessoa humana (9).

Em relação às tendências do instinto e das paixões, a paternidade responsável significa o necessário domínio que a razão e a vontade devem exercer sobre elas.

Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.

Paternidade responsável comporta ainda, e principalmente, uma relação mais profunda com a ordem moral objetiva, estabelecida por Deus, de que a consciência reta é intérprete fel. O exercício responsável da paternidade implica, portanto, que os cônjuges reconheçam plenamente os próprios deveres, para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.

Na missão de transmitir a vida, eles não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja (10).

Respeitar a natureza e a finalidade do ato matrimonial

11. Estes atos, com os quais os esposos se unem em casta intimidade e através dos quais se transmite a vida humana, são, como recordou o recente Concílio, “honestos e dignos” (11); e não deixam de ser legítimos se, por causas independentes da vontade dos cônjuges, se prevê que vão ser infecundos, pois que permanecem destinados a exprimir e a consolidar a sua união. De fato, como o atesta a experiência, não se segue sempre uma nova vida a cada um dos atos conjugais. Deus dispôs com sabedoria leis e ritmos naturais de fecundidade, que já por si mesmos distanciam o suceder-se dos nascimentos. Mas, chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida(12).

Inseparáveis os dois aspectos: união e procriação

12. Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador.

Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade. Nós pensamos que os homens do nosso tempo estão particularmente em condições de apreender o caráter profundamente razoável e humano deste princípio fundamental.

Fidelidade ao desígnio divino

13. Em boa verdade, justamente se faz notar que um ato conjugal imposto ao próprio cônjuge, sem consideração pelas suas condições e pelos seus desejos legítimos, não é um verdadeiro ato de amor e nega, por isso mesmo, uma exigência da reta ordem moral, nas relações entre os esposos. Assim, quem refletir bem, deverá reconhecer de igual modo que um ato de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradiçâo com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana. Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem, bem como com a da mulher e da sua relação mais íntima; e, por conseguinte, é estar em contradição com o plano de Deus e com a sua vontade. Pelo contrário, usufruir do dom do amor conjugal, respeitando as leis do processo generativo, significa reconhecer-se não árbitros das fontes da vida humana, mas tão somente administradores dos desígnios estabelecidos pelo Criador. De fato, assim como o homem não tem um domínio ilimitado sobre o próprio corpo em geral, também o não tem, com particular razão, sobre as suas faculdades geradoras enquanto tais, por motivo da sua ordenação intrínseca para suscitar a vida, da qual Deus é princípio. “A vida humana é sagrada, recordava João XXIII; desde o seu alvorecer compromete diretamente a ação criadora de Deus”(13).

Vias ilícitas para a regulação dos nascimentos

14. Em conformidade com estes pontos essenciais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos, uma vez mais, declarar que é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo generativo já iniciado, e, sobretudo, o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas (14).

É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher.(15)

É, ainda, de excluir toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação (16).

Não se podem invocar, como razões válidas, para a justificação dos atos conjugais tornados intencionalmente infecundos, o mal menor, ou o fato de que tais atos constituiriam um todo com os atos fecundos, que foram realizados ou que depois se sucederam, e que, portanto, compartilhariam da única e idêntica bondade moral dos mesmos. Na verdade, se é lícito, algumas vezes, tolerar o mal menor para evitar um mal maior, ou para promover um bem superior (17), nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem (18); isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais. É um erro, por conseguinte, pensar que um ato conjugal, tornado voluntariamente infecundo, e por isso intrinsecamente desonesto, possa ser coonestado pelo conjunto de uma vida conjugal fecunda.

Liceidade dos meios terapêuticos

15. A Igreja, por outro lado, não considera ilícito o recurso aos meios terapêuticos, verdadeiramente necessários para curar doenças do organismo, ainda que daí venha a resultar um impedimento, mesmo previsto, à procriação, desde que tal impedimento não seja, por motivo nenhum, querido diretamente. (19)

Liceidade do recurso aos períodos infecundos

16. Contra estes ensinamentos da Igreja, sobre a moral conjugal, objeta-se hoje, como já fizemos notar mais acima (n. 3), que é prerrogativa da inteligência humana dominar as energias proporcionadas pela natureza irracional e orientá-las para um fim conforme com o bem do homem. Ora, sendo assim, perguntam-se alguns, se atualmente não será talvez razoável em muitas circunstâncias recorrer à regulação artificial dos nascimentos, uma vez que, com isso, se obtém a harmonia e a tranqüilidade da família e melhores condições para a educação dos filhos já nascidos. A este quesito é necessário responder com clareza: a Igreja é a primeira a elogiar e a recomendar a intervenção da inteligência, numa obra que tão de perto associa a criatura racional com o seu Criador; mas, afirma também que isso se deve fazer respeitando sempre a ordem estabelecida por Deus.

Se, portanto, existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade, sem ofender os princípios morais que acabamos de recordar (20).

A Igreja é coerente consigo própria, quando assim considera lícito o recurso aos períodos infecundos, ao mesmo tempo que condena sempre como ilícito o uso dos meios diretamente contrários à fecundação, mesmo que tal uso seja inspirado em razões que podem aparecer honestas e sérias. Na realidade, entre os dois casos existe uma diferença essencial: no primeiro, os cônjuges usufruem legitimamente de uma disposição natural; enquanto que no segundo, eles impedem o desenvolvimento dos processos naturais. É verdade que em ambos os casos os cônjuges estão de acordo na vontade positiva de evitar a prole, por razões plausíveis, procurando ter a segurança de que ela não virá; mas, é verdade também que, somente no primeiro caso eles sabem renunciar ao uso do matrimônio nos períodos fecundos, quando, por motivos justos, a procriação não é desejável, dele usando depois nos períodos agenésicos, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua.

Procedendo assim, eles dão prova de amor verdadeira e integralmente honesto.

Graves conseqüências dos métodos de regulação artificial da natalidade

17. Os homens retos poderão convencer-se ainda mais da fundamentação da doutrina da Igreja neste campo, se quiserem refletir nas conseqüências dos métodos da regulação artificial da natalidade. Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens – os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto – precisam de estímulo para serem féis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal.

Portanto, se não se quer expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem, seja ele simples cidadão privado, ou investido de autoridade, é lícito ultrapassar. E esses mesmos limites não podem ser determinados senão pelo respeito devido à integridade do organismo humano e das suas funções naturais, segundo os princípios acima recordados e segundo a reta inteligência do “princípio de totalidade”, ilustrado pelo nosso predecessor Pio XII. (21)

A Igreja, garantia dos autênticos valores humanos

18. É de prever que estes ensinamentos não serão, talvez, acolhidos por todos facilmente: são muitas as vozes, amplificadas pelos meios modernos de propaganda, que estão em contraste com a da Igreja. A bem dizer a verdade, esta não se surpreende de ser, à semelhança do seu divino fundador, “objeto de contradição”; (22) mas, nem por isso ela deixa de proclamar, com humilde firmeza, a lei moral toda, tanto a natural como a evangélica.

A Igreja não foi a autora dessa lei e não pode portanto ser árbitra da mesma; mas, somente depositária e intérprete, sem nunca poder declarar lícito aquilo que o não é, pela sua íntima e imutável oposiçâo ao verdadeiro bem comum do homem.

Ao defender a moral conjugal na sua integridade, a Igreja sabe que está contribuindo para a instauração de uma civilização verdadeiramente humana; ela compromete o homem para que este não abdique da própria responsabilidade, para submeter-se aos meios da técnica; mais, ela defende com isso a dignidade dos cônjuges. Fiel aos ensinamentos e ao exemplo do Salvador, ela mostra-se amiga sincera e desinteressada dos homens, aos quais quer ajudar, agora já, no seu itinerário terrestre, “a participarem como filhos na vida do Deus vivo, Pai de todos os homens”. (23)

III. DIRETIVAS PASTORAIS

A Igreja, Mãe e Mestra

19. A nossa palavra não seria a expressão adequada do pensamento e das solicitudes da Igreja, Mãe e Mestra de todos os povos, se, depois de termos assim chamado os homens à observância e respeito da lei divina, no que se refere ao matrimônio, ela os não confortasse no caminho de uma regulação honesta da natalidade, não obstante as difíceis condições que hoje afligem as famílias e as populações. A Igreja, de fato, não pode adotar para com os homens uma atitude diferente da do Redentor: conhece as suas fraquezas, tem compaixão das multidões, acolhe os pecadores, mas não pode renunciar a ensinar a lei que na realidade é própria de uma vida humana, restituída à sua verdade originária e conduzida pelo Espírito de Deus.(24)

Possibilidade de observância da lei divina

20. A doutrina da Igreja sobre a regulação dos nascimentos, que promulga a lei divina, parecerá, aos olhos de muitos, de difícil, ou mesmo de impossível atuação. Certamente que, como todas as realidades grandiosas e benéficas, ela exige um empenho sério e muitos esforços, individuais, familiares e sociais. Mais ainda: ela não seria de fato viável sem o auxílio de Deus, que apóia e corrobora a boa vontade dos homens. Mas, para quem refletir bem, não poderá deixar de aparecer como evidente que tais esforços são nobilitantes para o homem e benéficos para a comunidade humana.

Domínio de si mesmo

21. Uma prática honesta da regulação da natalidade exige, acima de tudo, que os esposos adquiram sólidas convicções acerca dos valores da vida e da família e que tendam a alcançar um perfeito domínio de si mesmos. O domínio do instinto, mediante a razão e a vontade livre, impõe, indubitavelmente, uma ascese, para que as manifestações afetivas da vida conjugal sejam conformes com a ordem reta e, em particular, concretiza-se essa ascese na observância da continência periódica. Mas, esta disciplina, própria da pureza dos esposos, longe de ser nociva ao amor conjugal, confere-lhe pelo contrário um valor humano bem mais elevado. Requer um esforço contínuo, mas, graças ao seu benéfico influxo, os cônjuges desenvolvem integralmente a sua personalidade, enriquecendo-se de valores espirituais: ela acarreta à vida familiar frutos de serenidade e de paz e facilita a solução de outros problemas; favorece as atenções dos cônjuges, um para com o outro, ajuda-os a extirpar o egoísmo, inimigo do verdadeiro amor e enraíza-os no seu sentido de responsabilidade no cumprimento de seus deveres. Além disso, os pais adquirem com ela a capacidade de uma influência mais profunda e eficaz para educarem os filhos; as crianças e a juventude crescem numa estima exata dos valores humanos e num desenvolvimento sereno e harmônico das suas faculdades espirituais e sensitivas.

Criar um ambiente favorável à castidade

22. Queremos nesta altura chamar a atenção dos educadores e de todos aqueles que desempenham tarefas de responsabilidade em ordem ao bem comum da convivência humana, para a necessidade de criar um clima favorável à educação para a castidade, isto é, ao triunfo da liberdade sã sobre a licenciosidade, mediante o respeito da ordem moral.

Tudo aquilo que nos modernos meios de comunicação social leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, bem como todas as formas de pornografia ou de espetáculos licenciosos, devem suscitar a reação franca e unanime de todas as pessoas solícitas pelo progresso da civilização e pela defesa dos bens do espírito humano. Em vão se procurará justificar estas depravações, com pretensas exigências artísticas ou científicas,(25) ou tirar partido, para argumentar, da liberdade deixada neste campo por parte das autoridades públicas.

APELO AOS GOVERNANTES

23. Nós queremos dizer aos governantes, que são os principais responsáveis pelo bem comum e que dispõem de tantas possibilidades para salvaguardar os costumes morais: não permitais que se degrade a moralidade das vossas populações; não admitais que se introduzam legalmente, naquela célula fundamental que é a família, práticas contrárias à lei natural e divina. Existe uma outra via, pela qual os Poderes públicos podem e devem contribuir para a solução do problema demográfico: é a via de uma política familiar providente, de uma sábia educação das populações, que respeite a lei moral e a liberdade dos cidadãos.

Estamos absolutamente cônscios das graves dificuldades em que se encontram os Poderes públicos a este respeito, especialmente nos países em vias de desenvolvimento. Dedicamos mesmo às suas preocupações legítimas a nossa Encíclica “Populorum Progressio”. Mas, com o nosso predecessor João XXIII, repetimos: “…Estas dificuldades não se podem vencer recorrendo a métodos e meios que são indignos do homem e que só encontram a sua explicação num conceito estritamente materialista do mesmo homem e da vida. A verdadeira solução encontra-se somente num progresso econômico e social que respeite e fomente os genuínos valores humanos, individuais e sociais”.(26) Nem se poderá, ainda, sem injustiça grave, tornar a Providência divina responsável por aquilo que, bem ao contrário, depende de menos sensatez de governo, de um insuficiente sentido da justiça social, de monopólios egoístas, ou também de reprovável indolência no enfrentar os esforços e os sacrifícios necessários para garantir a elevação do nível de vida de uma população e de todos os seus membros. (27) Que todos os poderes responsáveis, como alguns louvavelmente já vem fazendo, reavivem os seus esforços, que não se deixe de ampliar o auxílio mútuo entre todos os membros da grande família humana: é um campo ilimitado este que se abre assim à atividade das grandes organizações internacionais.

AOS HOMENS DE CIÊNCIA

24. Queremos agora exprimir o nosso encorajamento aos homens de ciência, os quais “podem dar um contributo grande para o bem do matrimônio e da família e para a paz das consciências, se se esforçarem por esclarecer mais profundamente, com estudos convergentes, as diversas condições favoráveis a uma honesta regulação da procriação humana”.(28) É para desejar muito particularmente que, segundo os votos já expressos pelo nosso predecessor Pio XII, a ciência médica consiga fornecer uma base suficientemente segura para a regulação dos nascimentos, fundada na observância dos ritmos naturais. (29) Assim, os homens de ciência, e de modo especial os cientistas católicos, contribuirão para demonstrar que, como a Igreja ensina, “não pode haver contradição verdadeira entre as leis divinas que regem a transmissão da vida e as que favorecem o amor conjugal autêntico”.(30)

AOS ESPOSOS CRISTÃOS

25. E agora a nossa palavra dirige-se mais diretamente aos nossos filhos, particularmente àqueles que Deus chamou para servi-lo no matrimônio. A Igreja, ao mesmo tempo que ensina as exigências imprescritíveis da lei divina, anuncia a salvação e abre, com os sacramentos, os caminhos da graça, a qual faz do homem uma nova criatura, capaz de corresponder, no amor e na verdadeira liberdade, aos desígnios do seu Criador e Salvador e de achar suave o jugo de Cristo. (31)

Os esposos cristãos, portanto, dóceis à sua voz, lembrem-se de que a sua vocação cristã, iniciada com o Batismo, se especificou ulteriormente e se reforçou com o sacramento do Matrimônio. Por ele os cônjuges são fortalecidos e como que consagrados para o cumprimento fiel dos próprios deveres e para a atuação da própria vocação para a perfeição e para o testemunho cristão próprio deles, que têm de dar frente ao mundo.(32) Foi a eles que o Senhor confiou a missão de tornarem visível aos homens a santidade e a suavidade da lei que une o amor mútuo dos esposos com a sua cooperação com o amor de Deus, autor da vida humana.

Não pretendemos, evidentemente, esconder as dificuldades, por vezes graves, inerentes à vida dos cônjuges cristãos: para eles, como para todos, de resto, “é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida”.(33) Mas, a esperança desta vida, precisamente, deve iluminar o seu caminho, enquanto eles corajosamente se esforçam por “viver com sabedoria, justiça e piedade no tempo presente”,(34) sabendo que “a figura deste mundo passa”.(35)

Os esposos, pois, envidem os esforços necessários, apoiados na fé e na esperança que “não desilude, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações, pelo Espírito que nos foi dado”; (36) implorem com oração perseverante o auxílio divino; abeirem-se, sobretudo pela Santíssima Eucaristia, da fonte de graça e da caridade. E se, porventura, o pecado vier a vencê-los, não desanimem, mas recorram com perseverança humilde à misericórdia divina, que é outorgada no sacramento da Penitência. Assim, poderão realizar a plenitude da vida conjugal, descrita pelo Apóstolo: “Maridos, amai as vossas mulheres tal como Cristo amou a Igreja (…) Os maridos devem amar as suas mulheres como os seus próprios corpos. Aquele que ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque ninguém aborreceu jamais a própria carne, mas nutre-a e cuida dela, como também Cristo o faz com a sua Igreja (…) Este mistério é grande, mas eu digo isto quanto a Cristo e à Igreja. Mas, por aquilo que vos diz respeito, cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo; a mulher, por sua vez, reverencie o seu marido”.(37)

APOSTOLADO NOS LARES

26. Entre os frutos que maturam mediante um esforço generoso de fidelidade à lei divina, um dos mais preciosos é que os cônjuges mesmos, não raro, experimentam o desejo de comunicar a outros a sua experiência. Deste modo, resulta que vem inserir-se no vasto quadro da vocação dos leigos uma forma nova e importantíssima de apostolado, do semelhante, por parte do seu semelhante: são os próprios esposos que assim se tornam apóstolos e guias de outros esposos. Esta é, sem dúvida, entre tantas outras formas de apostolado, uma daquelas que hoje em dia se apresenta como sendo das mais oportunas.(38)

AOS MÉDICOS E AO PESSOAL SANITÁRIO

27. Temos em altíssima estima os médicos e os demais membros do pessoal sanitário, aos quais estão a caráter, acima de todos os outros interesses humanos, as exigências superiores da sua vocação cristã. Perseverem, pois, no propósito de promoverem, em todas as circunstâncias, as soluções inspiradas na fé e na reta razão e esforcem-se por suscitar a convicção e o respeito no seu ambiente. Considerem depois, ainda, como dever profissional próprio, o de adquirirem toda a ciência necessária, neste campo delicado, para poderem dar aos esposos, que porventura os venham consultar, aqueles conselhos sensatos e aquelas sãs diretrizes, que estes, com todo o direito, esperam deles.

AOS SACERDOTES

28. Diletos filhos sacerdotes, que por vocação sois os conselheiros e guias espirituais das pessoas e das famílias, dirigimo-nos agora a vós, com confiança. A vossa primeira tarefa – especialmente para os que ensinam a teologia moral – é expor, sem ambigüidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimônio. Sede, pois, os primeiros a dar exemplo, no exercício do vosso ministério, de leal acatamento, interno e externo, do Magistério da Igreja. Tal atitude obsequiosa, bem o sabeis, é obrigatória não só em virtude das razões aduzidas, mas sobretudo por motivo da luz do Espírito Santo, da qual estão particularmente dotados os Pastores da Igreja, para ilustrarem a verdade.(39) Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no do dogma, todos se atenham ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem. Por isso, com toda a nossa alma, vos repetimos o apelo do grande Apóstolo São Paulo: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos o mesmo e que entre vós não haja divisões, mas que estejais todos unidos, no mesmo espírito e no mesmo parecer”.(40)

29. Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas. Mas, isso deve andar sempre acompanhado também de paciência e de bondade, de que o mesmo Senhor deu o exemplo, ao tratar com os homens. Tendo vindo para salvar e não para julgar,(41) Ele foi intransigente com o mal, mas misericordioso para com os homens.

No meio das suas dificuldades, que os cônjuges encontrem sempre na palavra e no coração do sacerdote o eco fiel da voz e do amor do Redentor.

Falai, pois, com confiança, diletos Filhos, bem convencidos de que o Espírito de Deus, ao mesmo tempo que assiste o Magistério no propor a doutrina, ilumina também internamente os corações dos fiéis, convidando-os a prestar-lhe o seu assentimento. Ensinai aos esposos o necessário caminho da oração, preparai-os para recorrerem com freqüência e com fé aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, sem se deixarem jamais desencorajar pela sua fraqueza.

AOS BISPOS

30. Queridos e Veneráveis Irmãos no Episcopado, com quem compartilhamos mais de perto a solicitude pelo bem espiritual do Povo de Deus, para vós vai o nosso pensamento reverente e afetuoso, ao terminarmos esta Encíclica. A todos queremos dirigir um convite insistente. À frente dos vossos sacerdotes, vossos colaboradores, e dos vossos fiéis, trabalhai com afinco e sem tréguas na salvaguarda e na santificação do matrimônio, para que ele seja sempre e cada vez mais, vivido em toda a sua plenitude humana e cristã. Considerai esta missão como uma das vossas responsabilidades mais urgentes, na hora atual. Ela envolve, como sabeis, uma ação pastoral coordenada, em todos os campos da atividade humana, econômica, cultural e social: só uma melhoria simultânea nestes diversos setores poderá tornar, não só tolerável, mas mais fácil e serena a vida dos pais e dos filhos no seio das famílias, mais fraterna e pacífica a convivência na sociedade humana, na fidelidade aos desígnios de Deus sobre o mundo.

APELO FINAL

31. Veneráveis Irmãos, diletíssimos Filhos e vós todos, homens de boa vontade: é grandiosa a obra à qual vos chamamos, obra de educação, de progresso e de amor, assente sobre o fundamento dos ensinamentos da Igreja, dos quais o sucessor de Pedro, com os seus Irmãos no Episcopado, é depositário e intérprete. Obra grandiosa, na verdade, para o mundo e para a Igreja, temos disso a convicção íntima, visto que o homem não poderá encontrar a verdadeira felicidade, à qual aspira com todo o seu ser, senão no respeito pelas leis inscritas por Deus na sua natureza e que ele deve observar com inteligência e com amor. Sobre esta obra nós invocamos, assim como sobre todos vós, e de um modo especial sobre os esposos, a abundância das graças do Deus de santidade e de misericórdia, em penhor das quais vos damos a nossa bênção apostólica.

Dada em Roma, junto de São Pedro, na Festa de São Tiago Apóstolo, 25 de julho do ano de 1968, sexto do nosso pontificado.

PAULUS PP. VI